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quarta-feira, 24 de junho de 2009

FLORESTA COLONIAL - Prof. Franz Adrae

Número 07/2001 Floresta Colonial B O L E T I M I N F O R M A T I V O _________________________________________________________________ Projeto: Revitalização da pequena propriedade rural na região central do Rio Grande do Sul, pela atividade florestal Editorial Este é um número extra do Boletim Informativo Floresta Colonial, veículo de informação do projeto Floresta Colonial. O Projeto, iniciado em 1998 com o objetivo de incrementar a atividade florestal nos municípios da Quarta Colônia de Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, é a materialização de um convênio entre a Universidade Federal de Santa Maria e a Universität für Bodenkultur de Viena, Áustria. Enquanto as edições anteriores foram dirigidas aos agricultores e tinham como objetivo principal a demonstração da conveniência da produção florestal nas propriedades rurais, este número é vol-tado, específicamente, àqueles que, de alguma forma, já estão ligados à ativi-dade florestal, e objetiva incentivar a reflexão sobre a necessidade de mudança de paradigmas no trato das questões florestais. Você tem à sua disposição o depoimento de um ilustre engenheiro florestal, cuja experiência e amor pela causa florestal, especialmente gaúcha, são amplamente conhecidos e reco-nhecidos. Leia-o, reflita, tome atitude. Carta aberta aos interessados nas questões florestais do Rio Grande do Sul. Tomo a liberdade de opinar, já que acompanho – muitas vezes só de longe – a sorte do ambiente florestal gaúcho. Pude participar, durante quase dez anos, da formação do curso de Engenharia Florestal de Santa Maria, experiência que influiu muito sobre meu pensamento e meu horizonte. Embora desligado de uma colaboração direta há mais de 20 anos, jamais diminuiu o meu interesse pelas questões florestais gaúchas. Ao contrário, a partir de 1996, começamos a planejar e, finalmente, em 1998, a implantar o projeto Floresta Colonial, concretizando uma antiga idéia. As linhas seguintes são uma reação ao ambiente que esta idéia enfrentou; é um texto crítico, certamente, porém de intuito positivo, resultado de um pensa-mento subjetivo, mas sem interesse pes-soal, uma tentativa de aplicar experiên-cias e conhecimentos adquiridos em “duas pátrias”. Perdoem-me a ousadia de, como austría­co, opinar interpretando o setor florestal de vosso hospitaleiro Estado. Não se trata de um pensamento de superioridade que me motiva, e sim de gratidão e simpatia pelo Rio Grande e o seu povo, aliado a minha convicção que este chão possui enormes potencia-lidades, proporcionadas por suas caracte-rísticas naturais, estruturais e humanas. Do projeto – ponto de partida Com parcos recursos e pequena equipe, mas cheios de expectativas co-meçamos a divulgar a idéia da Floresta Colonial. Ela tem por fundamento a convicção de que a floresta é mais do que um conjunto de árvores destinado ao fornecimento de benefícios imateriais. Acreditamos que a sobrevivência da humanidade depende da produção pri-mária, baseada na energia solar, sendo, assim, o uso do solo uma necessidade natural. Por isto, o aproveitamento das florestas merece ser considerado não somente como fator sócio-econômico mas, sobretudo, como um recurso natural renovável. Floresta Colonial quer tornar realidade este conceito amplo, em benefício da sociedade e principalmente do interior colonial, através da produção conjunta de bens florestais materiais e imateriais. É no meio colonial de alguns municípios situados a nordeste de Santa Maria que se iniciou o trabalho. Justi-fica-se a zona de atuação pela grande coincidência do ambiente das colônias tradicionais com as regiões da cobertura florestal original do Rio Grande, onde a topografia apenas parcialmente se apresenta apta à realização de culti-vos anuais e ao emprego de tecno-logias agrícolas mecanizadas. Trata-se de uma zona representativa para grandes extensões do território gaúcho, habitadas por uma fração apreciável da população rural do Estado. Neste meio colonial, o cultivo florestal significa uma alternativa para culturas pouco rentáveis, sendo indicado, principalmente, para áreas sub-utilizadas, nas quais as práticas tradicionais aproveitam o solo espo-radicamente, alternando curtos períodos de cultivo com longos períodos de descanso, sem nenhum rendimento econômico. O projeto atua, entretanto, num meio cuja tradição, até há pouco tempo, era a substituição da floresta por outros usos do solo – processo destruidor, feito a machado e fogo. Verdade é que se trata de um processo de ocupação de solo como o praticado em todas as partes do mundo, adaptando métodos e cultivos até encontrar estabilidade ecológica nos seus usos. O processo representa o primeiro estágio para a formação das chamadas “paisagens culturais”, de usos estáveis e bem diversificados, altamente atrativas e de elevado potencial turístico. Considerando que, apenas há três ou quatro gerações, os primeiros colonos começavam a enfrentar a vegetação exuberante da mata subtropical, podemos imaginar o predomínio de uma menta-lidade agrícola voltada à defesa de áreas desbravadas contra a vegetação lenhosa invasora. Para tal pensamento, o cultivo florestal, necessariamente, significa uma verdadeira reviravolta: a floresta, há pouco uma inimiga, tornando-se, de repente, objeto de fomento e meio de produção? Não tínhamos ilusão quanto ao sucesso imediato e amplo da Floresta Colonial. Mas hoje já existem alguns agricultores pioneiros: temos exemplos modelares em algumas propriedades da região do projeto, com povoamentos que datam de uma iniciativa realizada nos anos 70. Eles servem de demonstração, pontos de partida, provas da alta eco-nomicidade da floresta para a colônia e objetos de pesquisas científicas. Também temos novas parcelas experimentais e povoamentos implantados em proprie-dades familiares, por iniciativa do pro-jeto. Nos contatos com os agricultores, percorrendo com eles lavouras e capo-eiras, em reuniões, palestras e excursões, mas também nos encontros com técnicos da extensão agrícola, sente-se que a idéia é bem entendida e aceita. Há, porém, ainda grandes obstáculos para passar da aceitação mental para a ação! Por vezes tímida, por vezes abertamente, encon-tramos a dúvida, a passividade, a inse-gurança, o medo – sentimentos que parecem dominar o meio colonial. Dis-cutindo os assuntos relacionados à floresta, notamos que a ignorância ou o simples espírito conservador muito raramente são os fatores que inibem os agricultores a adotar a nova idéia, que em outras partes do mundo são tradição e realidade benéfica. Onde, então, se encontra o problema? Chegamos à conclusão de que, em grande parte, é o paradigma florestal vigente no Estado que cria um “clima” desfavorável à assimilação do conceito de cultivo e manejo (sustentado) de florestas nas pequenas propriedades. Do Rio Grande – produtor e consumidor de madeira A atual resistência à aceitação da madeira como cultura alternativa na antiga zona florestal gaúcha chama a atenção. Mesmo sem conhecer os resultados do inventário florestal em andamento, é mais do que óbvio que, nas últimas duas décadas, aumentou a cober-tura florestal do Estado (de diferentes estágios). Este fato, porém, não levou a um aumento da oferta madeireira (desconsiderando Pinus e Eucalyptus). Ao contrário, enquanto à época da cria-ção do curso de Engenharia Florestal em Santa Maria, o Rio Grande era expor-tador de madeira de qualidade, hoje passou à condição de importador de enormes quantidades de matéria-prima oriunda do norte do país. A carência de madeira também é visível quando se observa a qualidade produzida, comercializada e beneficiada: o Rio Grande atual se satisfaz com uma produção de madeira bruta de qualidade comparativamente baixa e níveis modes-tos de aproveitamento na sua transforma-ção. E mais: o Rio Grande, mesmo que originalmente coberto na sua maior parte de campos, é vizinho de vastas regiões desprovidas de florestas naturais. Somando-se os fatos, constatamos que a dimensão do mercado local e interna-cional de madeira, bem como a vocação natural de boa parte das áreas antes cobertas por ricas florestas, deveriam servir de motivação para gerar um amplo movimento estadual em favor da utilização destas chances ecológicas e da potencialidade produtiva existente. Estranhamos a resistência dos agri-cultores e da classe florestal quanto ao aproveitamento destas oportunidades, já que o gaúcho, se pensarmos no seu papel de vanguarda em relação ao cultivo da soja no Brasil, sabe ser flexível e aberto às novas idéias. Do paradigma florestal no Rio Grande A idéia sobre florestas atualmente dominante parece considerar o Estado como um lugar desabitado e sem estruturas fundiárias. Sem dúvida, não houve um planejamento de uso integrado do solo quando, nos séculos XIX e XX, todas as florestas ainda virgens foram colonizadas, isto é, entregues exclusi-vamente à agricultura. Faltou a visão de reservar áreas para no futuro atender ao interesse público em florestas, pois é o poder estatal que mais facilmente pode-ria aventurar-se em empreendimentos de longas rotações ou de conservação. Hoje, no Rio Grande, as áreas pertencentes às Florestas Nacionais são insignificantes e não existem florestas estaduais para produção, cabendo à iniciativa particular o atendimento das demandas de produtos florestais, materiais e imateriais. Quando, nos anos 60, o uso exaus-tivo das florestas aos poucos acabou com as reservas, optou-se por um modelo de incentivo à produção de madeira, que somente considerou e beneficiou grandes empresas florestais. Surgiram plantações homogêneas de curta rotação, sistemas florestais que lembram os moldes da produção agrícola, sobretudo por se enraizarem, principalmente, em zonas de campos e em áreas facilmente mecani-záveis. Estas florestas não nasceram da convicção de sua singular vantagem para o uso múltiplo do solo. Não! O desen-volvimento florestal foi muito mais uma reação aos incentivos financeiros especí-ficos, que não deixaram opção para a produção de madeira nos milhões de hectares do Rio Grande, sob cobertura florestal nativa, em posse de centenas de milhares de pequenos proprietários. Com os anos tornaram-se visíveis, na paisagem, as florestas econômicas, manejadas com técnicas adequadas, con-trastantes com as outras florestas, de áreas muitas vezes mais extensas e sem finalidade econômica, nem manejo. E esta diferenciação onipresente, espacial e funcional, virou ideologia. Aos poucos surgiu um novo paradigma: a dissociação efetiva das áreas florestais por suas funções. De um lado, as florestas de produção e, de outro, as quase intocá-veis. Parece que não se levou em consi-deração o conceito moderno de uso múltiplo, isto é, a obtenção simultânea de matéria-prima, proteção, equilíbrio am-biental e benefícios recreativos. Neste conceito, qualquer tipo de floresta, seja plantada, seja nativa, deveria ser avaliada, usando-se os mesmos critérios ecológicos e sócio-econômicos. No Rio Grande optou-se por um conceito de separação de funções das florestas; opção até aceitável, quando se trata de um planejamento para regiões despovoadas, mas fatídico para regiões com estruturas já definidas. Este conceito era menos estranho nos anos 60 e 70, quando existia otimismo na agricultura, pelas perspectivas aparentes da soja. A realidade hoje é outra: é a da falta de alternativas agrícolas para as regiões coloniais com topografia de vocação florestal. O êxodo rural, em conseqüên-cia, tornou-se um fenômeno comum. A inexistência de produção susten-tada de madeira nas zonas antigamente florestadas não se deve somente à ausência de incentivos financeiros, mas muito mais ao não reconhecimento do potencial econômico inerente a estas áreas. A colocação da existência destas florestas como sinônimo de proteção ambiental é de tal modo divulgada, que se tornou pecado pensar em sua uti-lização. Verifica-se até uma tendência de impor esta separação espacial/funcional, não com diálogo e recompensa, mas através de forte militância, com atitudes semelhantes ao combate ao terrorismo ou ao narcotráfico, proporcionando aos eco-guerreiros uma aura de heroísmo (basta analisar as reportagens em jornal, rádio, TV). O efeito sobre a percepção dos proprietários e habitantes do interior, por falta de diálogo, esclarecimento e supor-te, e pelo excesso de regulamentações, não é o desejado. Gera apenas sentimen-tos de desinteresse, incerteza, medo e a conseqüente falta de perspectivas e de conhecimento. Toda vez que, em nossos contatos com os agricultores, o assunto se referiu à floresta e sua utilização sustentada, foram ouvidas alegações carregadas dos sentimentos citados que, por fim, superam os argumentos mais lógicos à favor da Floresta Colonial. Verificamos, assim, que a realidade florestal se caracteriza, por um lado, pela extrema liberalidade do uso de florestas exóticas e, por outro, pela imposição severa das funções exclusivamente sociais às áreas nativas das pequenas propriedades. Enquanto das florestas industriais não se exige qualquer geração de benefícios imateriais (embora o façam), impede-se a possibilidade de usufruir os benefícios econômicos das florestas nativas. Chama-nos a atenção o fato de que a própria Engenharia Florestal, certa-mente na melhor das intenções, coopera para a manutenção deste paradigma intransigente. Mundo afora, prevalece a convicção de que os melhores resultados nas tentativas de proteção dos recursos naturais são obtidos pela integração, pela participação e pelo despertar dos interes-ses da população diretamente atingida. Será que o clima de tensão que se criou em torno da teoria e prática prote-cionista reflete um antagonismo entre cidade e campo? Será que as regras do jogo foram elaboradas assim, por ignorar-se a complexidade dos sistemas florestais e se desconhecer a realidade ecológica, sócio-econômica e cultural do interior? Sendo o uso múltiplo uma faceta da sustentabilidade, não podemos deixar de constatar uma realidade um tanto hipócrita: fala-se e exige-se a sus-tentabilidade, porém sem fomentá-la. Ao contrário, impede-se a sua implantação integral. Dos regulamentos – excessos e carências O desenvolvimento agrícola nas regiões coloniais foi acompanhado pela eliminação – por vezes necessária, é certo – das florestas. Neste período elas serviam somente como reserva territorial e ninguém, salvo José Zell, no seu famoso memorial de 1929, as qualificou como fonte permanente de benefícios para os agricultores. As conseqüências do desmatamento foram reservas esgo-tadas e danos ambientais. A legislação florestal da época era inapta para disciplinar o processo. Assim, pode-se entender o espírito dos regulamentos atuais também como reação, até necessária, à dinâmica de degradação ambiental e aos desperdícios de ricos recursos naturais. Ninguém duvida do direito da sociedade de intervir no tratamento de florestas, mesmo parti-culares, já que se trata de um bem cujos efeitos são de interesse comum. Na formulação e execução das normas há determinações rígidas, acompanhadas de punições muito severas, prova de des-confiança das intenções dos proprietários de florestas (nativas). A estrutura do setor florestal público, porém, é compli-cada. Parece-nos estranho que as flores-tas não sejam consideradas como parte dos assuntos de uso do solo, pertencendo integralmente à um só órgão, que engloba temas de agricultura, pecuária e florestas. Uma secretaria de produção rural, por exemplo. Na realidade, há uma sobreposição de agendas de entidades ambientais e da agricultura, além da atomização de competências e da constante migração de responsabilidades. A prática, então, às vezes, leva à atuação simultânea de várias instituições num mesmo pedaço de terra, além de confrontar o cidadão, continuamente, com situações administrativas diferentes e regulamentos novos em relação à floresta. Poder-se-ia interpretar esta alta freqüência de modificações também como uma conseqüência da reduzida prati­cabilidade das leis, portarias, decretos etc., substituindo-os por outros provisórios, igualmente de curta duração. Isto criou uma situação que, até para os casos mais triviais, se exigem planos e projetos, fazendo dos interessados, dependentes de “peritos”, desestimu-lando a formação de um espírito florestal positivo no meio rural. Na ânsia de acabar com o tratamento abusivo das florestas, é exercido um controle sistemático, o que necessariamente acaba em restrições, formalizações e punições exuberantes. O efeito óbvio é contra-produtivo, por não fazer jus às multipli-cidades de ambientes florestais. A “formularização” da atividade florestal, baseada em manuais, guias, fórmulas – enfim, receitas –, leva a uma terrível e desnecessária inflexibilidade quando se trata de usar espécies ou florestas nativas. Qualquer procedimento se torna objeto de intervenção “técnica”, ocupan-do autoridades qualificadas com triviali-dades, como no caso do corte de árvores singulares ou até mesmo de árvores mortas. A rigidez de normatizar qualquer intervenção dificulta manejos adequados às situações locais específicas, para as quais jamais podem existir manuais apropriados. Para um europeu, certas disposições legais não deixam de ter algo de grotesco ou cômico: o não reconhe-cimento de renovação natural como reposição obrigatória; o plantio de um determinado número de árvores por unidade volumétrica cortada; o rigor das vistorias e planos para espécies nativas do Brasil, mesmo quando estas são plantadas fora do seu habitat natural; as restrições extraordinárias para as espécies nativas e a liberalidade frente às monoculturas exóticas. A preocupação da legislação florestal, bem como de certas entidades ambientalistas, torna-se um tanto contra-ditória no que tange à origem das árvores. Simplificando, talvez a verdade seja que no Rio Grande de hoje haja uma única forma de produzir madeira sem “incomodar-se”: a de optar pelo uso de espécies exóticas. Chama-nos a atenção o seu trato preferencial pelos regula-mentos. Compartilhamos as dúvidas de muitos ecólogos quanto ao uso de espé-cies introduzidas em maciços, conside-rando a riqueza do Estado em madeiras nobres autóctones. Entre alguns ambien-talistas, estas dúvidas por vezes levam à fobia desnecessária contra as espécies florestais exóticas. Estranhamente, o Brasil, em outras áreas, soube fazer, do introduzido, símbolos nacionais ou regi-onais, como no caso do churrasco (gado), do cafezinho, da caipirinha (cana) ou da soja – e nada disso é autóctone! Somente regulamentações que faci-litem a produção e o uso das essências nativas poderão gerar mais interesse; o que se vê na prática, porém, é o contrá-rio. Os procedimentos para permitir a realização de atividades com espécies ou florestas nativas são de tal modo minados de complicações, que geram a impressão de que tudo existe, não em função da preocupação com os ecos­sistemas, mas para arrecadação de taxas, honorários ou multas. Esta impressão se alimenta dos comunicados orgulhosos, dados à imprensa, relativos aos valores de multas aplicadas. Se, por um lado, encontramos um exagero de regulamentações norma-tizantes, por outro, sentimos também a falta de certas considerações na lei – e queremos mostrar apenas alguns exem-plos, entre tantos que mereceriam ser mencionados. Regula-se até nos detalhes o procedimento para obter uma permis-são de corte e transporte de até duas árvores, mas nem existe uma definição sobre “o que é floresta”. Exigem-se vistorias, mas falta a definição de um prazo máximo para a sua execução. Mencionam-se as várias vantagens das florestas, mas evita-se uma consideração do seu efeito em conjunto, o do seu uso múltiplo. Os regulamentos sobram em detalhes, mas são insuficientes no geral: sabemos que os benefícios decorrem da cobertura florestal, sendo, conseqüen-temente, mais importante considerar a eficiência da área e não de árvores singulares. Regulamenta-se o descapo-eiramento, como se dependesse do tama-nho da propriedade e não de sua própria dimensão. Exige-se um sem número de informações para planos de manejo, mas faltam os instrumentos para apro­veitá-las no próprio planejamento. Obriga-se o consumidor de madeira a preocupar-se com o abastecimento sustentado, no lugar de harmonizar a produção florestal com o mercado e com o interesse público. Determinam-se diâmetros míni-mos para exploração de espécies, como se não soubéssemos da existência de enormes diferenças nas qualidades de sítio. Decreta-se a cobertura florestal mínima nas propriedades rurais, sem considerar as diferenças fisionômicas da vegetação natural, etc, etc... Se o entusiasmo e o esforço para o controle ou a coerção das atividades na floresta nativa fossem investidos em programas positivos de produção, através de esclarecimento e fomento, criar-se-ia um clima favorável à floresta, sim, mas contribuindo, ao mesmo tempo, para a integração da população na marcha de um desenvolvimento sustentável, isto é, ecológico e socialmente justo. Da ecologia das florestas do Rio Grande A consciência ecológica da sociedade, sem dúvida progrediu muito, ultimamente. Nem sempre, porém, com toda a conseqüência. É uma opinião bas-tante difundida, a que equipara a ecologia com a proteção e a proteção florestal com a sustentabilidade. Não é um fenômeno exclusivamente gaúcho – também nos países industrializados há quem pense que a função da ecologia não é a de ser guia para o manejo consciente da natureza mas, sim, ser a própria proteção ambiental. Queremos, com poucos exemplos, mostrar que, às vezes, o efeito não é ecologicamente correto. Hoje se comemora uma vitória ecológica, quando florestas são declara-das intocáveis, mas se desconsidera, por completo, que o mercado gaúcho de madeiras se abastece em grande parte de outras regiões. O custo ambiental de 4.000 km de transporte em estradas, partindo da Amazônia até o Rio Grande, é enorme: seria muito mais ecológico produzir (e cortar) a madeira perto do local de consumo. Assim, o Rio Grande está participando diretamente do desgaste de reservas naturais. E mais: ninguém também pergunta pela eficiên-cia ambiental dos controles exigidos pela lei florestal, até para fiscalizar cortes de volumes insignificantes. Também não encontramos ninguém que se preocupe com a propagação do uso do gás (proveniente de energia fóssil) no meio colonial, enquanto árvores mortas, potencialmente lenha e recurso renová-vel, devem apodrecer no mato. Não seria muito mais ecológico incentivar justa-mente o manejo das florestas nativas nas pequenas propriedades rurais, criando um mosaico ecológico de diversidade extraordinária na paisagem colonial? Não seria justamente esta a situação que também os movimentos ambientalistas desejam? Não nos convém qualificar as grandes plantações econômicas, homo-geneizadas até geneticamente, porém elas são aceitas e incentivadas para obter matéria-prima lenhosa padronizada. Por que, então, se torna problema aceitar com naturalidade o potencial produtivo existente nas florestas nativas? E nem vamos lembrar aqui o lado eco-sociológico desta comparação, a mão-de-obra ocupada, os empregos gerados pelo trabalho nas florestas coloniais e, posteriormente, pelo aproveitamento da matéria-prima produzida. Da Engenharia Florestal As dificuldades encontradas para o uso das florestas coloniais provavel-mente também se devam a um certo déficit de conhecimentos técnicos em relação ao trabalho com estas formações complexas. O Rio Grande esteve entre os primeiros estados brasileiros a dispor de um curso superior de Engenharia Flores-tal, tendo formado centenas de engenhei-ros. Qual é o papel da Engenharia Florestal na prática? Qual é a sua função na sociedade, a sua contribuição para um desenvolvimento ecologicamente susten-tável e socialmente justo? Seria mero acaso que, durante a existência do curso de Engenharia Florestal em Santa Maria, o Estado tenha passado da condição de exportador de madeira para a de grande importador? Sem dúvida é injusto cor-relacionar os dois fatos, pois as expor-tações resultaram da pilhagem dos pinhais nativos; mas a verdade é que o aumento da produção de madeira durante estes 30 anos não acompanhou a deman-da crescente. Qual a explicação para isso? Será que não houve penetração suficiente das opiniões dos técnicos na determinação dos objetivos do desen-volvimento florestal? Qual é então a tarefa da Engenharia Florestal? E per-gunto até: existe um perfil definido, que torna a profissão singular? Creio que a resposta é negativa, fazendo com que não se perceba bem o caráter singular do engenheiro florestal entre as profissões ligadas ao meio ambiente. Talvez isto seja um indicativo para a falta de emancipação. Sabemos que não foi fácil para a profissão enraizar-se dentro das ciências rurais e ambientais, mas, aos poucos, esperava-se que a Engenharia Florestal se ocupasse dos assuntos de relevância florestal, de modo a trans-portar os seus pontos de vista para a sociedade. Quer me parecer que, em parte, aconteceu até o contrário: uma diluição do espírito florestal nos para-digmas vigentes. Uma prova disso é a interpretação da evolução da cobertura arbórea do Estado: nota-se que o aumen-to visível das áreas florestais vem sendo louvado como mérito da legislação. Na verdade, é conseqüência da crise da agricultura colonial, seguida do aban-dono de terras. Certamente não é motivo para se orgulhar. Não que não desejás-semos um aumento da percentagem de terra florestada, mas é contraprodutivo e ingênuo desconsiderar os efeitos cola-terais: quem se orgulha da volta das florestas, deste modo, corre o risco de ser responsabilizado pela continuidade do déficit de madeira, pelo despovoamento do interior, pelo êxodo rural, pela paisagem asselvajada e pelo apareci-mento de favelas até nas pacatas cida-dezinhas da colônia gaúcha. Desta transformação estrutural da paisagem colonial, a Engenharia Flores-tal poderia ter tirado motivos para se projetar, insistindo na integração das funções florestais como modelo de solução. A Engenharia Florestal, em vez de ser como qualquer um dos grupos que trabalham no campo ambiental, deveria dedicar-se mais à produção, num sentido amplo, através da pesquisa, do ensino, da extensão, da conservação dos recursos hídricos, de incentivos, da publicidade. Com este perfil específico, a profissão geraria uma competência insubstituível e inconfundível. Considero um beco sem saída, um caminho sem sustentabilidade, dedicar-se demais às tarefas de fisca-lização mesquinha, fornecimento de certidões e elaboração de projetos de pouco desafio técnico. As florestas não deveriam ser vistas desta forma para geração de recursos para a classe. Ao contrário, esta deveria promover o desen-volvimento florestal, visando a geração de recursos para a sociedade. Ainda não é tarde para começar um processo de reorientação da missão dos engenheiros florestais. Emitindo sinais de incentivo à produção, serão abertas perspectivas para atividades satisfatórias e importantes em seus efeitos sobre as condições sociais e econômicas do Estado. Da ilusão de um Rio Grande florestal Querendo, todos nós aprendemos, a cada dia que Deus nos dá. Aprendemos analisando a realidade, analisando o nosso meio ambiente em constantes modificações. Condicionemos os nossos objetivos aos achados destas análises. Hoje as condições sócioeconômicas são bem diferentes das de 20 ou mais anos atrás. As mudanças no interior do Rio Grande criaram uma série de problemas, inclusive sociais, que a nossa profissão poderia atenuar. Revertamos as atitudes burocráticas, de administrar formulários, de recorrer à ameaça, puni-ção e repressão e suas conseqüências. Transformemos tudo isso em um sistema de diálogo, de esclarecimento, de incentivo, para criar um clima positivo e humano. Tomemos a situação estrutural e fundiária do Estado por realidade. A possibilidade de se fazer reservas de vastas áreas intocadas no Rio Grande foi perdida há mais de um século. Dedi-quemos as áreas de cobertura lenhosa ao uso múltiplo, dando uma oportunidade ao seu potencial produtivo, claro que sempre dentro das normas necessárias de proteção e conservação, mas sem excessos burocráticos. Simples proibi-ções não são soluções inteligentes quando não se oferecem, simultanea-mente, alternativas aceitáveis. E a Engenharia Florestal seria um guia para alcançar o uso sustentado da natureza. Despertar o interesse dos agricultores pela causa florestal vai trazer mais satisfação profissional do que incriminá-los. E que ninguém diga que o agricultor não aceitaria cultivos arbóreos e não aprenderia a planejar um regime sustentado de produção. Não precisamos citar os exemplos dos minifundiários centro-europeus, pois no próprio Rio Grande existem várias provas. Basta ver os milhares de agricultores que optaram pela acacicultura como parte de seu sustento. Para eles, aparentemente, bastou a perspectiva econômica e a desburocratização legal, para convencê-los e fazê-los agir. Por que não estimular toda a colônia gaúcha para ativar as terras ociosas que, possivelmente, cobrem 10 ou 20 vezes mais área do que as plantações industriais? Já existem secretários de agricultura municipais dispostos a propagar a floresta para as colônias. Imaginemos se existisse todo um sistema de extensão florestal, condicionando o seu serviço às carac-terísticas e necessidades regionais: quan-to emprego para os engenheiros, que campo enorme de pesquisas, que volume de trabalho neste deserto florestal e, também, que novo potencial econômico para o interior! O que o proprietário colonial precisa é de uma perspectiva, principalmente em tempos em que o setor fumageiro, até hoje um suporte da agricultura na zona montanhosa, também discute alternativas de produção. Qual será o futuro se um dia o fumo fracassar em termos econômicos? O que os movimentos conser-vacionistas e ambientalistas ambicionam é um ambiente ecologicamente sadio. Por que, então, não unirmos os interes-ses? Para produzir (cortar) madeira, precisamos ter e manter florestas. Quem quer ver florestas, dentro de um país no qual existem segurança, justiça social e perspectivas para o agricultor, que fomente a produção e o consumo florestal, isto é, que concorde também com a posterior utilização da madeira! Afinal, em tempos em que todos falam de sustentabilidade, não há alternativa mais ecológica. Franz Andrae é engenheiro florestal, doutor e professor na Universidade Rural de Viena, Áustria. Ex-professor da Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul. ________________________ Expediente Floresta Colonial Convênio Universidade Federal de Santa Maria (Brasil) Universität für Bodenkultur, Viena (Áustria) Coordenação Prof. Franz Andrae (Austria) e Prof. Miguel Durlo (Brasil) Editores Professores: Delmar Bressan, Franz Andrae, José Newton Marchiori, Miguel Durlo Endereço Departamento de Ciências Florestais CCR/UFSM 97105-900 – Santa Maria (RS) Fones: (055) 220.8444 e (055) 220.8915 Ramal 29 E-mail: mdurlo@ccr.ufsm.br Fomento: Ministério de Relações Exteriores, Cooperação Internacional e Academia de Ciências da Áustria Execução:Universität für Bodenkultur, Áustria e Universidade Federal de Santa Maria. Apoio: Fundação MO´Ã, Emater e Prefeituras Municipais da Quarta Colônia

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pagamentos por Serviços Ambientais

Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) podem alavancar a preservação Até o momento, buscou-se conter o desmatamento e a poluição penalizando seus autores. Contudo, quem vive da terra tem um olhar diferente sobre a natureza. Ao contrário dos românticos, que se encantam com a paisagem verde, a água limpa correndo e os sons suaves da mata, o homem do campo identifica áreas boas para plantar e calcula mentalmente quantas cabeças de gado pode engordar num determinado espaço ou quanto de esforço será necessário para arar e preparar o solo para sua próxima lavoura. Na sua mente também estão os pedidos de brinquedos dos filhos, escola para pagar, consertos na casa, roupas, calçados, impostos etc., como para qualquer brasileiro. Viver do campo requer qualidades de empreendedor. É preciso planejar sozinho seu trabalho e ainda depender das condições climáticas – cada vez mais imprevisíveis – para obter um bom resultado. É preciso estar pronto para empunhar suas ferramentas debaixo de sol forte ou de chuva – ainda mais se não foi possível comprar tratores e outros maquinários para ajudar – e estudar como se financiar (ou o quanto se endividar) até a hora da colheita ou do abate. Tudo feito direitinho, ainda resta o desafio de conseguir bons compradores. Se o resultado foi bom demais, haverá muita oferta de uma mercadoria perecível, e o preço cai, reduzindo o ganho planejado e muitas vezes colocando em risco a labuta de um ano inteiro. Em meio a tudo isso, é preciso incorporar a consciência ambiental e saber que, no planeta, escasseiam as matas e florestas, responsáveis por manter o clima, renovar o ar e limpar as águas. Assim, mesmo que as necessidades familiares pressionem, há terras que devem, sim, permanecer intocadas. Sair-se bem nessa atividade não é para qualquer um. Por isso, a migração do campo para a cidade é cada vez maior. Desde 2007, mais da metade da população mundial vive nas zonas urbanas. Buscando conforto Mesmo quem vive junto das florestas não conta com facilidades para obter uma vida confortável. A falta de conhecimento faz com que antigos hábitos predominem. Como o de extrair madeira sem controle ou planejamento e queimar o que resta para colocar gado em cima. Esta é a forma mais simples e imediatista que se conhece para evitar ter de migrar para o ambiente urbano. Na região de Silves (AM), por exemplo, os jovens precisam ir para Itacoatiara ou Manaus ao terminar o ensino médio, já que o município é muito pequeno e não oferece cursos profissionalizantes ou faculdades. Muitos optam então por pegar suas canoas e navegar rio acima ou abaixo, até encontrar um bom ponto para se instalar. Ali, ocupam a terra e extraem a madeira – que é retirada nas cheias e puxadas pelas canoas até madeireiras que as compram. Com esse pequeno capital, abrem pastos e colocam bezerros, que funcionam como uma poupança. Eles continuam a viver da pesca, de frutas e de mandioca, enquanto o gado engorda até o ponto de ser oferecido às barcaças que passam e compram os melhores bois após calcular seu peso pelo rústico método de pendurá-los por uma cinta. Assim, os jovens constroem novas comunidades, casam-se e têm filhos, que repetirão essa história, fazendo desaparecer outros pedaços da floresta. “Os estudos comprovam que o gado é a atividade menos lucrativa que um caboclo pode ter”, informa João Meirelles, do Instituto Peabiru, que atua há dez anos em defesa da biosociodiversidade da Amazônia. Seus esforços se concentram em ensinar aos moradores da mata como fazer bons planos de negócios, capazes de gerar renda com a floresta em pé. As atividades eleitas para esse fim são o ecoturismo, os produtos florestais não-madeireiros, a apicultura com abelhas nativas e a neutralização de carbono com iniciativas de reflorestamento. Nesta última, o Peabiru inova ao optar pelo plantio de espécies que contribuam para maior segurança alimentar e ofereçam alternativas de renda a partir de seus frutos e outros produtos. O trabalho inclui a formação de viveiros de mudas e a educação para a sustentabilidade. A necessidade de um bom planejamento para encontrar o equilíbrio entre humanos e a mata é intensa. Afinal, os próprios índios tinham hábitos nômades por todo o Brasil. Extraíam tudo o que podiam de uma região e, depois, se deslocavam, deixando a floresta descansar e recompor-se. Hoje, só na Amazônia brasileira vivem mais de 2 milhões de pessoas, em cerca de 30 mil comunidades rurais ou periurbanas. Como então permitir esse descanso sem migrar para novas áreas? Trabalhadores imperceptíveis Falar em “descanso” para uma floresta é uma visão truncada, que reforça a sanha por cortá-la e transformá-la em “algo mais útil”. Na verdade, toda mata agrupa incontáveis “empregados invisíveis”, responsáveis por ciclos que renovam continuamente o ar, mantêm o clima do planeta e protegem as águas, entre tantos outros serviços ambientais. Em fevereiro deste ano, um estudo da Universidade de Utrecht, da Holanda, concluiu que só a retenção de CO2 pela Floresta Amazônica teria um valor estimado de até R$ 226 por hectare, por ano. Um estudo do aviador e ambientalista Gérard Moss, da Expedição Rios Voadores, confirmou que a Floresta Amazônica exerce grande influência nos ciclos pluviais das principais regiões que movimentam a economia do país. Assim, remunerar quem mantém florestas em pé é uma idéia que vem sendo defendida em diferentes fóruns. Alguns acreditam que a remuneração pelo desmatamento evitado pode ser introduzida no próprio mecanismo de comércio de créditos de carbono. E já criaram um título para esse princípio: Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Outros defendem que essa ação tenha verbas próprias, vindas de fundos criados com esse objetivo para não desvirtuar as regras do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O Brasil aposta nesse caminho e já criou o Fundo Amazônia, que recebeu uma doação de US$ 1 bilhão da Noruega. Esse dinheiro será pago até 2015, caso o país consiga manter o desmatamento anual abaixo de 19.500 km², índice médio entre 1996 e 2005. Além disso, conta-se com o Programa Bolsa Floresta, mantido pela Fundação Amazonas Sustentável, que paga a quem se compromete a não desmatar e participa de aprendizados em busca de renda com atividades sustentáveis. Agora, o país prepara-se para ampliar o conceito de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), abrangendo também ações de recuperação do que foi destruído. “Identificamos o PSA como um consenso entre produtores e ambientalistas. Assim, vamos investir nessa direção”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. “Queremos inverter a visão de que cortar e vender dá dinheiro para a visão de que conservar dá dinheiro”, destacou Minc, explicando que o objetivo do PSA é remunerar o produtor ou o proprietário para que recupere o solo, a floresta, a margem do rio ou a qualidade da água no seu entorno. Saindo na frente “O importante é que o Brasil amadureceu. Nós nos convencemos de que não é possível combater a degradação e a perda da biodiversidade nem conservar as espécies ameaçadas de extinção apenas com o Ibama e a Polícia Federal. É preciso incorporar a população e pagar por isso. Assim, as pessoas poderão sobreviver recuperando o que foi desmatado e destruído durante tantos anos”, declarou o ministro no lançamento do um livro sobre o PSA, em março passado. A ampliação do PSA depende de uma lei em votação no Congresso. A Câmara Federal quer votá-la em junho próximo, durante a Semana do Meio Ambiente. Alguns Estados saíram na frente, como o Espírito Santo, que aprovou uma lei de PSA em 22 de setembro de 2008, para ampliar a recuperação das bacias hidrográficas locais. Ali, produtores rurais da bacia do Benevente já recebem pagamentos por recuperar e proteger suas matas ciliares. No Rio de Janeiro, 200 agricultores são pagos para recuperar as matas ciliares do Rio Guandu, que abastece 9 milhões de fluminenses. A própria Agência Nacional de Águas (ANA) utiliza a taxação de recursos hídricos para pagar os agricultores que replantam matas ciliares, reduzindo o assoreamento dos rios e melhorando a qualidade da água. Essas experiências estão mostrando que o PSA pode, finalmente, conciliar a busca por renda de quem está no campo e nas matas com a necessidade global de conservação e preservação ambiental. Se, além disso, formos capazes de frear nosso crescimento populacional, poderemos, enfim, reduzir a pressão que ameaça romper a grande teia da vida na Terra. Por Neuza Árbocz (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

sábado, 30 de maio de 2009

Averbação de Reserva Legal

Averbação de Reserva Legal é abordada em reunião de Câmaras Comissão Bicameral das Câmaras de Engenharia Florestal e Agronomia reuniu-se para discutir mobilização sobre temas A mobilização, no Plenário do CREA-RS, sobre a averbação de Reserva Legal e as Áreas de Preservação Permanente, foi um dos temas propostos na reunião da Comissão Bicameral das Câmaras de Engenharia Florestal e Agronomia, realizada no dia 27 de maio. A reunião teve o objetivo de apresentar uma proposta para definir uma posição do Conselho sobre ambos os temas. Outra sugestão foi a realização de um seminário no CREA-RS, com a participação dos Conselheiros, representantes da Emater, governos estadual e federal, entre outros, na qual seria definida o posicionamento do Conselho sobre o assunto. Na edição nº 56 da Conselho em Revista, de abril deste ano, a jornalista Carla Damasceno abordou o tema da averbação de Reserva Legal, na matéria “Em Busca da Produtividade Sustentável”, disponibilizada no link http://www.crea-rs.org.br/crea/download.php?file=ed56.pdf

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sem queda- de- braço!

20 de Maio de 2009 Sem queda- de- braço! A silvicultura brasileira surgiu, expandiu-se e tornou-se referência em nível internacional, respeitando as regras estabelecidas pelo atual Código Florestal. Isso não significa que o setor não tenha sugestões para mudanças. Houve significativa evolução da ciência florestal, nos últimos 40 anos e muitos conhecimentos científicos precisam ser incorporados ao Código. Deveria ser um processo natural! Uma ampla discussão, que envolva as universidades e as instituições de pesquisas florestais, com certeza, poderá redundar em sugestões com pleno embasamento científico para serem incorporadas ao Código. Temos dificuldades que precisam ser superadas para promover o crescimento do setor. Há necessidade de uma legislação federal descentralizadora, e ninguém pode negar a falta de diretrizes estratégicas, políticas públicas e a imprescindível simplificação do complexo processo de licenciamento das atividades silviculturais, em muitos estados. Mas essas dificuldades, na verdade, não serão resolvidas com as mudanças, que estão sendo preconizadas para o Código Florestal. Os licenciamentos, por exemplo, são questões a serem resolvidas em nível de CONAMA. Quanto à Reserva Legal, não há duvidas! Cabe uma discussão, quanto à dimensão, localização e eventual utilização. Mas mesmo assim, à exceção da Região Norte, a existência da Reserva Legal está longe de ser uma limitação para o crescimento da atividade. Talvez, uma das mais importantes discussões para a silvicultura, seja a ocupação de áreas montanhosas , pela dificuldade de se definir de forma objetiva o que é TOPO de MORRO. Em regiões montanhosas, na maioria dos casos, impróprias à agricultura, a silvicultura pode se instalar sem dificuldades operacionais e promover a proteção dessas áreas, muitas delas, atualmente, desprovidas de qualquer cobertura. Os benefícios sociais, econômicos e ambientais serão imensuráveis, especialmente aos mananciais hidrográficos dessas regiões. A silvicultura brasileira tem tecnologia para ocupar áreas montanhosas, protegendo os topos de morros e mais importante ainda, dando estabilidade às sensíveis encostas! Mas é preciso que as regras estejam claras e não fiquem sujeitas à abstração e subjetivismo de avaliações pontuais. Nesta questão, o setor está enriquecido de argumentos para fazer suas próprias reivindicações. E com certeza,como já tivemos demonstrações , em ocasiões anteriores, ainda poderemos contar para esse objetivo , com o apoio de expressiva parcela de ambientalistas. E a regulamentação sobre TOPO de MORRO, também é matéria da alçada do CONAMA. Temos dificuldades com a complexidade das legislações estaduais e a diversidade de regulamentações, através de resoluções e portarias de órgãos estaduais. Eessas são questões do SISNAMA Acreditar que com mudanças do Código Florestal iremos superar as limitações para o crescimento da silvicultura, pode parecer falta de se conhecer o que precisa mudar, como mudar e quem deve mudar! Se não identificarmos as nossas prioridades e atuarmos com objetividade nessas questões pontuais, poderemos nos desgastar numa discussão, repleta de revanchismos e radicalismos e que pouco tem a ver com as reais necessidades do setor florestal! É bom lembrar também, que temos, voluntariamente, grande parte de nossas florestas plantadas sob a égide de rigorosos sistemas de certificação e, reiteradas vezes, e com certo orgulho, mostramos em nossos discursos, que somos exemplo de atividade rural sustentável. Simplificar o cipoal de regulamentações, que envolve a silvicultura é uma necessidade inadiável, que precisa ser negociada, em diferentes estados e com diversos atores. E sem pancadaria! É um problema da silvicultura e que precisa ser resolvido pelos silvicultores. São questões específicas e que tem pouco a ver com essa queda-de-braço entre ruralistas e ambientalistas! E lembrando: o atual Código Florestal foi elaborado por uma equipe, que contou com a participação de brilhantes silvicultores! Nelson Barboza Leite – nbleite@uol.com.br

VALE RELEMBRAR...

[ACEF] Otacílio M. Guimarães - Presidente do CREA (Ceará) >>>JA E ANTIGO, MAS COMO O BRASILEIRO NAO TEM MEMORIA...VALE RELEMBRAR... Sr. Luis Inácio Lula da Silva: Causa indignação a qualquer cidadão medianamente esclarecido ouvir ou ler a asneira abaixo, pronunciada por uma pessoa semi-analfabeta, despreparada, sem nenhuma ética, que 52 milhões de abobalhados colocaram na presidência da república do Brasil. Esclarecendo: asneira vem de asno ou burro. O senhor passou a sua vida toda, juntamente com o seu partido (?!?!?!), mentindo para um povo até conseguir conquistar as consciências de 52 milhões de incautos que não sabem distinguir óleo de água e agora, depois de ter implantado no Brasil o maior esquema de corrupção jamais visto no mundo ainda vem dar uma de o mais honesto do país com essa afirmação desproposital, descabida e desrespeitosa. Pois eu lhe digo, senhor Luis Inácio: eu sou um brasileiro de 62 anos de idade, não sou analfabeto, meus pais não eram analfabetos, eu recebi uma educação doméstica, moral e formal para dizer ao senhor, o seguinte: me respeite! Respeite o meu país! Respeite as pessoas que estão indignadas com a sua desfaçatez! Se o senhor acha que o único repositório da ética e da moral deste país é o senhor, pois fique sabendo que eu quero discutir com o senhor sobre ética e moral, cara a cara, olho no olho. Eu quero que o senhor me explique como é que Delúbio Soares e Sílvio Pereira armaram o esquema criminoso que resultou neste mar de lama que emporcalha a história do Brasil sem que o senhor, o José Genuíno e o José Dirceu soubessem de nada. Eu quero que o senhor me explique, cara a cara, olho no olho, porque Celso Daniel, prefeito de Santo André, foi assassinado friamente e o seu governo agiu no sentido de paralisar as investigações. Será que o senhor sabe o que significa obstrução da justiça? Pois foi isto o que o senhor fez, obstruiu a justiça. Se o Brasil fosse um pais sério, o senhor já estaria na cadeia só por isto. Eu quero que o senhor me explique porque mandou a prefeita de São José dos Campos, Ângela Guadagnin, exonerar o secretário de finanças Paulo de Tarso Venceslau só porque este, que também fora secretário de finanças da Prefeitura de Campinas, descobriu um esquema de desvio de dinheiro público operado pela CPEM que somente em 1 992 desviou 10,5 milhões de dólares da prefeitura de São José dos Campos, sem falar nas outras três onde o esquema funcionava (Campinas, Piracicaba e Ribeirão Preto, esta última tendo como prefeito Antônio Palocci, atual ministro da fazenda), dinheiro esse que se destinava a alimentar o caixa 2 do PT. Nesse esquema o Paulo Okamoto, que não detinha cargo público e era apenas militante do PT, fazia o papel que o Sílvio Pereira fez até ser desmascarado recentemente. Note-se que estes fatos ocorreram há 12/13 anos atrás. Não é de hoje, portanto, que o PT se utiliza desses esquemas criminosos para suprir o seu caixa 2 e aumentar o patrimônio de seus integrantes. Inclusive o seu e do seu filho, o Lulinha, que recentemente recebeu da Telamar cinco milhões e duzentos mil reais como investimento numa empresa que eu não pagaria um centavo por ela. A troco de quê, senhor Lula, a Telamar deu essa dinheirama toda ao seu filho? O senhor e seus asseclas vivem dizendo que tudo é culpa das elites brasileiras. Para mim, as elites que jogaram o PT e o governo Lula na lama têm nomes: José Dirceu, Sílvio Pereira, Delúbio Soares, Marcos Valério e os que estão acima destes que o senhor tão bem conhece e eu não preciso citar. O senhor é o chefe de todos eles. É o campeão mundial da "maracutaia" (palavra que tanto usou no passado para ofender, impunemente, seus adversários políticos). Pois eu lhe digo, senhor Lula: neste país nasceu antes do senhor um homem em condições de discutir com o senhor, cara a cara, olho no olho, sobre ética e muitos outros atributos que o senhor não possui, como por exemplo, capacidade administrativa, discernimento, iniciativa e coragem de tomar decisões. E digo mais: que eu não estou sozinho, pois o Brasil tem milhões de homens e mulheres que têm condições de discutir com o senhor sobre ética e moral e dar aulas destas matérias, se é que iria entender. Quer me parecer que o senhor não entende o verdadeiro significado das palavras ética e moral, talvez seja este o caso, já que nunca estudou e se gaba de ter nascido de pais analfabetos. Na verdade, quem se gaba de ter nascido de pais analfabetos e de ter pouco estudo não tem o direito de ofender todo um povo arvorando-se no único repositório da ética e da moral. Isto já é coisa de doente mental como aconteceu com Hitler, Stalin, Lumumba e tantos outros ditadores, responsáveis por milhões de assassinatos de inocentes. Senhor Lula, o senhor foi colocado onde está por pessoas tão ignorantes ou mal intencionadas quanto o senhor. Mas eu devo lhe dizer que os homens e mulheres de bem deste país já estão cheios das asneiras que o senhor fala e faz e com suas bravatas, com a sua incapacidade sobejamente demonstrada em governar o país e com o fato de estar se esquivando de suas responsabilidades nos desmandos praticados pela cúpula dirigente do PT querendo nos fazer crer que Sílvio Pereira e Delúblio Soares agiram sozinhos. Não creio que Sílvio Pereira e Delúbio Soares s ejam tão burros assim. Só um idiota acreditaria nisso. E digo-lhe mais uma coisa: pare de subestimar a inteligência dos brasileiros, pare de ofender os brasileiros, principalmente aqueles que acreditaram em suas mentiras e suas falácias e lhe colocaram onde está hoje. Está na hora do senhor devolver estes votos juntamente com um pedido de desculpas tomando a decisão de renunciar ao cargo para o qual o senhor nunca esteve preparado para exercer. A seguir trecho do discurso proferido ontem pelo senhor, presidente Lula, para uma platéia de petroleiros da REDUC, Duque de Caxias, e que ofende pelo menos aqueles que possuem ética e dignidade neste país, o que não é o seu caso. "Neste país está para nascer alguém que venha querer discutir ética comigo. Eu digo sempre o seguinte: sou filho de pai e mãe analfabetos. E o único legado que eles deixaram, não apenas para mim, mas para toda a família, é que andar de cabeça erguida é a coisa mais importante que pode acontecer para um homem ou uma mulher.. E eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida neste país com muito sacrifício. E não vai ser a elite brasileira que vai fazer eu baixar a cabeça". Estou pronto para discutir com o senhor sobre ética e outros assuntos a qualquer momento que o senhor escolher. Isto se o senhor tiver coragem, porque sempre foge covardemente do debate com a imprensa e com pessoas inteligentes, pois não tem a hombridade de responder ou enfrentar. A maioria do povo brasileiro está de saco cheio com o senhor e com o seu PT - Partido dos Trambiqueiros, cambada de assaltantes que ocupam postos chaves de nossa nação, mas vai chegar a hora de prestarem contas das falcraturas que enche seus bolsos dia e noite. E não vão adiantar operações plásticas e outros artificios, fugir para outros paises, pois o mundo hoje está muito menor do que já foi no passado e sua figura burlesca já é bem conhecida la fora. Estarei aberto para debater estes e outros assuntos em público, em dia, hora e local que bem lhe aprouver, com a presença da imprensa ainda não comprometida. Considere-se desafiado a partir deste momento. Otacílio M. Guimarães - Presidente do CREA (Ceará)

domingo, 24 de maio de 2009

Minc busca apoio para barrar Código Florestal

Minc busca apoio para barrar Código Florestal - voltar 21/05/2009 - Acuado pela ação do forte lobby ruralista no Congresso, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, reagiu ontem às propostas de reforma do Código Florestal Brasileiro ao anunciar uma "sólida aliança" com movimentos sociais de produtores familiares, assentados da reforma agrária, agricultores sem terra e ambientalistas. Na tentativa de buscar aliados para demonstrar força nos debates internos no governo, Minc prometeu tratamento "diferenciado" a pequenos produtores rurais. O ministro afirmou, ainda, que a aliança com os produtores familiares seria estratégica para evitar uma "derrota histórica" nas discussões sobre a reforma do Código Florestal no Congresso. O avanço das teses ruralistas no Congresso preocupa os ambientalistas. Para convencer os novos aliados, o ministro acenou com concessões em propriedades de até quatro módulos fiscais (cerca de 400 hectares) e mão de obra familiar. Poderiam ser permitidas a recomposição de áreas de preservação permanente (APPs) com espécies nativas combinadas ao plantio de frutas e somadas as APPs com áreas de reserva legal. Também haveria pagamento por serviços ambientais, a regularização fundiária e a compensação de áreas degradadas com doações de áreas preservadas. Representantes dos pequenos produtores reivindicam incentivos econômicos e fiscais para apoiar as propostas de Minc. Também querem financiamento público para a recuperação de áreas degradadas. Criticado por ambientalistas por apoiar a MP de regularização fundiária na Amazônia, o ministro informou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar no Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, o decreto que prevê o pagamento por serviços ambientais. Isso, segundo ele, permitirá ao agricultor receber pela recuperação de áreas desmatadas. O cálculo desse pagamento ainda não foi definido, segundo Minc. Pelas propostas, debatidas em reunião apoiada por parlamentares da bancada ambientalista, seria permitido a pequenos produtores o cultivo em regiões com declividade superior a 45 graus (topos de morro). "Tem que haver essa diferenciação da agricultura familiar e do agronegócio. Vamos manter e apoiar o Ministério do Meio Ambiente e derrubar as propostas dos ruralistas", disse a secretária de Meio Ambiente da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Rosecléia dos Santos. Na reunião, Minc afirmou que o encontro era o início do "movimento de reação" contra as alterações propostas na medida provisória 459, que modifica a legislação ambiental. "Não queremos uma derrota honrosa", afirmou. "Vamos dar um tratamento diferenciado à produção familiar para fazer face ao rolo compressor dos ruralistas e terminar de vez com esse terrorismo que está sendo tocado em cima do pequeno agricultor, que acaba sendo arregimentado para interesses daquele que quer passar a motosserra e o trator em cima do que restou." Os ruralistas querem dar autonomia aos Estados para legislar sobre questões ambientais. Em Santa Catarina, uma lei permitiu a redução de APPs em regiões degradadas. Na reunião, secretários estaduais de Meio Ambiente e parlamentares defenderam as propostas e rejeitaram mudanças propostas pelos ruralistas. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) afirmou ser "necessária" pressão da sociedade civil sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para a revogação da lei catarinense. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online. Comentário: O Ministro começa a raciocinar com responsabilidade e respeito ao proprietário. Espero, que atue favoravelmente à produtividade florestal nas pequenas e médias propriedades rurais.

Floresta como atividade produtiva

Floresta como atividade produtiva 21/05/09 20-05-2009 Programa Florestal assinado dia 19 para a Metade Norte prevê a inclusão de pequenos e médios produtores rurais e micro, pequenas e médias empresas e indústrias do agronegócio florestal, visando expandir os benefícios sociais, econômicos e ambientais Foi dado início ao Programa Florestal da Metade Norte do RS. Nesta terça-feira (19), ocorreu a assinatura, no auditório do Sindicato Rural de Passo Fundo, o termo que institui o Programa Florestal para a Metade Norte do RS, com a presença de diversas lideranças ligadas a cadeia de florestas. Assinaram o Programa, a diretora técnica da Emater/RS, Águeda Marcéi Mezomo; o chefe geral da Embrapa Florestas, Helton Damin da Silva; o presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Roque Justen; o presidente do Sindicado das Indústrias Madeireiras (Sindimadeira), Serafin Gabriel Quissini, e o representante do Sindicato das Indústrias de Erva-mate (Sindimate), Mauro Tormen. De acordo com a diretora técnica da Emater/RS, Águeda Marcéi Mezomo, programas como esse visam despertar as potencialidades do meio rural. “Além da diversificação, o Programa possibilitará um planejamento de utilização do solo, somando mais uma atividade produtiva às propriedades rurais. Estamos colocando nosso corpo técnico nesse projeto, pois temos ciência da importância dessa cadeia produtiva, em especial para os municípios da região Norte do Estado”, avaliou Águeda. Os objetivos do Programa Florestal são ampliar e desenvolver ações que fortaleçam a cadeia produtiva de base florestal, para o desenvolvimento social, econômico e ambiental. Além disso, de acordo com o gerente regional da Emater/RS-Ascar e um dos coordenadores do Programa, Oriberto Adami, o que se busca é uma discussão ordenada, a qualificação dos técnicos envolvidos no Programa e o manejo tecnológico adequado das florestas, visando garantir valor ao produto e adequação ao meio ambiente. “Estamos certos da excelente alternativa de renda e de diversificação da produção que as florestas representam, no entanto, são necessárias ações pensadas e tecnologia adequada”, reforçou Adami. A proposta do Programa Florestal para a Metade Norte do RS prevê a inclusão de pequenos e médios produtores rurais e também de micro, pequenas e médias empresas e indústrias do agronegócio florestal, visando expandir os benefícios sociais, econômicos e ambientais. O agrônomo da Emater/RS-Ascar, Ilvandro Barreto de Melo, apresentou o Programa e o cronograma de ações. Entre os desafios apresentados estão a contribuição para a recuperação de áreas de preservação permanente degradadas e de reserva legal, promover a ampliação de plantios e a modernização na transformação da matéria-prima florestal, bem como a sensibilização das lideranças, técnicos, produtores, empresários e trabalhadores sobre a importância das florestas, seus produtos e serviços para a sociedade. “É grande a responsabilidade da Embrapa e da Emater. Quando falamos em plantar árvores, destoa do padrão brasileiro de agricultura, que é plantar feijão, trigo, soja. No entanto, a produção de florestas representa o terceiro maior contribuinte do PIB nacional. Entendemos que esse tipo de parceria vai contribuir para o crescimento da metade norte desse Estado”, destacou o chefe geral da Embrapa Floresta, Helton Damin da Silva. Para o presidente do Sindimadeira, Serafin Gabriel Quissini, a assinatura do termo é uma oportunidade para os municípios da metade Norte do RS. “Agradeço a Emater por ter entendido e acreditado na floresta como um importante componente produtivo”, disse Quissini. Na opinião do presidente da Ageflor, Roque Justen, a silvicultura é uma realidade em muitos municípios, mas alertou que o plantio de árvores não deve ser feito de qualquer forma, mas com planejamento e acompanhado das demais atividades e planejamento necessário. “Com esse Programa estamos evoluindo”, afirmou. Também estiveram presentes no evento, o presidente do Sindicato Rural, Jair Dutra Rodrigues, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Alberi Ceolin, a secretária municipal do Interior de Passo Fundo, Eloísa Bedin, o presidente da Associação dos Municípios do Nordeste Rio-Grandense, Moisés Dametto, entre outras lideranças. Estão envolvidas seis regiões administrativas da Emater/RS-Ascar (Passo Fundo, Estrela, Caxias do Sul, Erechim, Ijuí, e Santa Rosa), Embrapa Trigo, Embrapa Florestas, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Associação dos Produtores de Erva-Mate de Machadinho (Apromate), Universidades de Passo Fundo e Federal de Santa Maria, Cesnors, Sindimadeira/RS, Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Cooperativa Florestal do Rio Grande do Sul (Floracoop) e demais entidades. Fonte: Diário da Manhã (Passo Fundo)

MP 458

20 / 05 / 2009 Segundo especialista MP 458 só serve aos interesses de grileiros e funcionários do Incra Contrariando as últimas declarações polêmicas do Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que colocou a Medida Provisória 458 como uma "Vitória Ambientalista", o especialista em ocupação humana e conflitos agrários na Amazônia e professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino de Oliveira, criticou a medida e afirmou que "A MP fere o princípio constitucional de função social da terra". As declarações foram dadas em uma conferência de imprensa realizada pela empresa Oboré e Projetos Especiais de Comunicação e Arte - no sábado (16). Oliveira entende a 458 como uma terceira tentativa de legalizar a grilagem de terras, sucedendo as medidas 252 ("MP do Bem") e 422. "A MP 458 não é necessária, pois já existe legitimação das posses destas terras na legislação. A medida surgiu somente devido ao interesse de funcionários do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)", afirmou. Durante sua exposição, que durou cerca de 30 minutos, Oliveira criticou também os projetos fundiários do governo na Amazônia Legal. "O Estado não deveria alimentar assentamentos na Amazônia. Não há esta necessidade. O problema é que o Estado não criou mecanismos para regular suas próprias terras. Estão ao sabor das elites", afirmou o pesquisador. A Medida Provisória 458 permite à União transferir, sem licitação, terrenos de sua propriedade, de até 1,5 mil hectares, aos ocupantes das áreas na Amazônia Legal. Oliveira soma-se à maioria dos ambientalistas e entidades da sociedade civil organizada que já batizaram a 458 de "MP da Grilagem", e não vêem nenhuma vitória, a não ser a dos grileiros e da impunidade. Ataque às instituições - Durante a entrevista coletiva realizada após a conferência, as críticas do pesquisador ao modelo de gestão empregado na Amazônia continuaram. Desta vez voltadas às instituições públicas e privadas que atuam na região. Questionado sobre a eficiência dos mecanismos do controle de desmatamento, Oliveira foi direto. "Não há condições de controle pelo Estado Brasileiro". O pesquisador destacou que os programas, como o monitoramento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) é muito bom, mas esbarra na falta de continuidade. "O problema está nas equipes de fiscalização. O Ministério do Meio Ambiente não tem nenhum corpo funcional para tanto", explicou o pesquisador. Outra instituição que representa grande problema ao país, segundo Oliveira, é o Incra. O pesquisador, que diversas vezes já prestou consultoria técnica ao instituto, afirmou que o órgão não cumpre sua função devido a um desalinhamento ideológico. "O problema é que grande parte dos funcionários do Incra são contra a reforma agrária", afirmou. Oliveira também destacou diversos casos de corrupção que se tornaram públicos nos últimos anos na instituição e denunciou um "propagandismo político" por parte do órgão. De acordo com o pesquisador, o atual número de assentados divulgado pelo Incra em 2008 (500 mil famílias) seria falso. Segundo ele, essa quantidade de assentamentos é, na realidade, relativo ao trabalho feito pelo instituto nos últimos anos. O pesquisador criticou, inclusive, o sistema de exploração da floresta. "No Brasil há um capitalismo de rapina, que quer enriquecer muito rápido e não dar continuidade à sua atividade", afirmou. Para ele, o grande risco não está nas companhias estrangeiras que visam a floresta, mas sim nas nacionais "Precisamos olhar com muito cuidado como as empresas nacionais estão cuidando da Amazônia", concluiu. (Fonte: Flávio Bonanome/ Amazônia.org) Comente esta notícia no espaço do leitor... Nossa legislação sempre quer dominar tudo, como se fosse possível colocar um fiscal incorruptível ao lado de cada árvore, ou de cada motosserra. O setor madeireiro precisa ser tratado como um empreendimento econômico para poder se lbertar e ser produtivo, autosuficiente, gerando interesse dos empresários e proprietários de terra para sua preservação produtiva. Precisa obrigar um fazendeiro a proteger seu gado? Porquê? Simplesmente, porque gera renda! Italino

quarta-feira, 20 de maio de 2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Pesquisa da ESALQ avalia potencial espécies

Pesquisa da ESALQ avalia potencial espécies 11/05/2009 - O uso de energias renováveis é uma tendência mundial, cada vez mais difundida, principalmente por razões ambientais e econômicas. Das diversas formas existentes, a biomassa tem grande destaque, devido sua alta capacidade produtiva e versatilidade de aplicação. No Brasil, a biomassa tem grande expressão no suprimento energético do país (31,6% do total), e a madeira corresponde à quase metade desse valor. “Boa parte do suprimento dessa fonte provém ainda de florestas nativas, o que evidencia a necessidade de ampliação de plantios florestais visando o atendimento sustentado dessa crescente demanda. Entretanto, para que os plantios florestais cumpram efetivamente suas funções, os mesmos precisam ser orientados tanto por altas produtividades florestais como pelas qualidades ideais da madeira para uso energético”, avalia engenheira florestal Tânia Cerbino Cintra. Recentemente, Tânia conclui sua dissertação de mestrado na Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/ESALQ), com intenção de observar o potencial energético de espécies florestais nativas plantadas na região do Médio Paranapanema, SP. “As espécies brasileiras são, relativamente, pouco conhecidas do ponto de vista energético, uma vez que a maior parte dos plantios são, tradicionalmente, realizados com espécies dos gêneros Pinus e Eucalyptus”, lembra a pesquisadora. Segundo o professor José Otávio Brito, do departamento de Ciências Florestais (LCF) da ESALQ, que orientou o trabalho, “os resultados obtidos trazem novos subsídios técnico-científicos fundamentais para a continuidade de estudos na área de aplicação energética da madeira, e se encontra alinhado com iniciativas nacionais importantes de pesquisa na área, como é o caso, por exemplo, do projeto “Florestas Energéticas” da Embrapa, no qual a ESALQ se encontra engajada”. Em seu trabalho, Tânia levantou informações sobre características qualitativas e quantitativas de espécies florestais brasileiras, assim como a influência da idade nas características da madeira relacionadas ao uso energético, a fim de prover subsídios para a seleção de espécies com vocação para tal finalidade. A pesquisa foi desenvolvida a partir de plantios estabelecidos como parte de ações de recuperação de áreas florestais na região de Assis (SP). “Nessa região, o Instituto Florestal do Estado de São Paulo já havia avaliado a produção de biomassa e carbono”, explica a autora da pesquisa. Em uma primeira etapa, foram avaliadas 12 espécies (monjoleiro, angico-branco, angico-vermelho, capixingui, pau-viola, tamboril, algodoeiro, ingá, aroeira, canafístula, mirandiba e mamica-de-porca), com 6 a 8 anos, nas quais foram observadas suas características quanto a produção de biomassa e aquelas relacionadas as principais propriedades da madeira visando a finalidade energética. Na segunda etapa do trabalho, comparou-se as características da madeira de angico-branco e aroeira em duas faixas de idade distintas, 6 e 8 anos e 36 e 37 anos. Com base nos resultados obtidos, concluiu-se que nenhuma das espécies estudadas apresentou características limitantes em suas madeiras, em relação ao uso energético e quatro espécies demonstraram maior potencial para essa finalidade: tamboril, angico-vermelho, pau-viola e monjoleiro. “Na comparação de faixa etária, constatou-se que houve influência da idade em todas as características analisadas, para ambas as espécies analisadas, sendo verificado ainda que a densidade básica, o poder calorífico, os teores de carbono fixo, extrativos totais e lignina se relacionaram positivamente com o aumento da idade, enquanto que o teor de materiais voláteis e de cinzas tiveram influência negativa do efeito da idade”, conclui Tânia Cintra. Celulose Online.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Setor de Trabalho para o Eng. Florestal

Subject: Setor de Trabalho para o Eng. Florestal Date: Fri, 8 May 2009 21:29:26 -0300 Setor de C&P busca profissionais - voltar 04/05/2009 - Concorrência é a palavra chave para definir o mercado de trabalho em engenharia florestal. Ao mesmo tempo em que as ofertas de empregos crescem, a demanda de alunos também aumenta. Opções de carreiras a serem seguidas não faltam. Mas preparo e dedicação são os segredos do sucesso. "Nos últimos cinco anos o número de cursos aumentou muito para atender uma demanda do próprio mercado de trabalho. A medida que um se desenvolve, o outro também cresce", explica a engenheira florestal Isabele Meunier, que também é professora da UFRPE. Ela acredita que talvez por conta da crise o mercado dê uma freada, mas nada que mude o cenário atual, que é um dos melhores. "A celulose (o mercado de papel) entrou nessa crise, mas até o ano passado ele crescia muito. O que pode acontecer é uma reduzida no crescimento, mas não uma parada total", acredita. Gestor ambiental da Celpe, Francisco Carvalho também é otimista quanto ao mercado. Por conta de suas várias faces, o engenheiro florestal está garantido em qualquer área, contanto que se dedique à área. "Ele está apto a trabalhar com produção florestal, processos de beneficiamento de celulose e fabricação de papel, mas não só com isso. Por conta da ampla formação acadêmica que esse profissional tem - química, física, meteorologia, biologia, sociologia - pode atender outras necessidades do mercado, como desempenhar funções de gestor e analistas ambientais", afirma Carvalho. "Como existe também uma mais preocupação com o meio ambiente e uma fiscalização maior por parte dos órgãos responsáveis, o número de pesquisas e estudos sobre as florestas estão aumentando. Em consequência, a demanda de profissionais para realizar esses trabalhos, também aumenta", completa Isabel. O nome pode até ser parecido, mas a engenharia florestal nada tem a ver com a ambiental. Enquanto uma lida com florestas e matas, a outra atua dentro da própria cidade, em questões mais urbanas. "Elas trabalham em focos completamente diferentes, se elas se encontram é apenas de raspão", explica Isabel Meunier. A professora explica ainda que na ambiental o trabalho é mais voltado para questões sanitárias. "Eles trabalham mais com sanitarismo das cidades, questões de esgotos, desejetos, produção química, processos industriais. Já a florestal tem como foco as florestas, seu replantio, preservação e aproveitamento saudável", afirma Meunier. Fonte: Diário de Pernambuco. Adaptado por Celulose Online.

domingo, 10 de maio de 2009

Pagamento por Serviços Ambientais pode virar realidade

08/05/2009 - 12h05 Pagamento por Serviços Ambientais pode virar realidade Por Lucia Leão, do MMA A Câmara dos Deputados quer colocar em votação daqui a um mês, durante a Semana do Meio Ambiente, o Projeto de Lei que institui o Pagamento por Serviços Ambientais. O substitutivo de iniciativa do Poder Executivo, que será encaminhado nos próximos dias pela Casa Civil, deve ser aprovado sem maiores dificuldades, já que conta com o apoio expressivo das bancadas ambientalistas e ruralistas, principais segmentos envolvidos no debate do tema. O Pagamento por Serviços Ambientais foi um dos pontos de consenso identificado pelo ministro Carlos Minc entre os dois segmentos, normalmente antagônicos, durante reunião de quarta-feira (06/05), com deputados representantes das comissões de Meio Ambiente, da Agricultura, da Amazônia e do Desenvolvimento Urbano. E não é o primeiro: A proposta de Zoneamento Agroecológico da Cana, que está na mesa do presidente Lula para ser assinada nos próximos dias, também foi acordada depois um longo e aprofundado debate encabeçado pelos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, citou o ministro Minc lembrando que também os ZEEs estão sendo pactuados para atender aos diferentes interesses econômicos e sociais. Mas também não são poucos os descensos dentro do grupo, como o Ministro deixou claro no encontro que aconteceu durante visita que fez ao presidente da Comissão de Meio Ambiente, Roberto Rocha. Minc rechaçou com veemência os argumentos do presidente da Frente Parlamentar da Agricultura, deputado Waldir Colato (PMDB-SC), defensor de mudanças para afrouxar as regras do Código Florestal, de que estudos científicos indicam que o excesso de proteção ambiental prejudica a produção agropecuária no País. Se isso fosse verdade não teríamos apenas 7% da Caatinga e 9% do Cerrado protegidos. A lista de animais em extinção não teria crescido quatro vezes em quinze anos. Não estaríamos vendo tantas climáticas como estamos vendo hoje. Esse estudo que o senhor se refere não é da Embrapa, mas de um técnico que por acaso trabalha na Embrapa e que há alguns anos atestou que o ar de Ribeirão Preto, no auge das queimadas da cana, era mais puro do que o ar da Serra de Itatiaia. O que a Embrapa assina embaixo é o estudo que fez para o zoneamento agroecológico da cana: o Brasil tem 300 milhões de hectares disponíveis para a agricultura, reagiu Minc. O Ministro, no entanto, disse que não se furta ao debate e concorda que o Código Florestal deve ser aperfeiçoado. Ele lembrou que vem enfrentado polêmicas desde que assumiu o Ministério, há onze meses, e, citando o caso dos embates com o governador do Mato Grosso Blairo Maggi, tem conseguido, em alguns casos, bons resultados. Espera que o mesmo ocorra com o Código Florestal e outras legislações ambientais que estão sendo questionadas no Congresso. O conflito é a essência do Parlamento, ponderou Minc dizendo-se otimista com os resultados dos debates que, na sua expectativa, ainda vão recrudescer. Antes dos deputados, o ministro do Meio Ambiente pediu aos senadores que tratem com cuidado das questões ambientais. Integrando a mesa da Sessão Solene do Congresso que comemorou os 50 anos do Tratado da Antártida, Minc disse que o considera o mais bem sucedido da história humana. É o primeiro documento internacional feito com base no interesse não de um ou outro país ou de uma partilha, mas da humanidade como um todo. Esse, segundo Minc, é o sentimento que deve nortear os debates sobre a legislação ambiental. Se não fizermos certo, todo mundo perde. O aquecimento global é uma realidade, e devemos fazer de tudo para que ele fique nos dois graus até o fim do século. De forma alguma podemos afrouxar na defesa dos nossos biomas. (Envolverde/MMA)

ÁGUA DA VIDA: Floracoop :: Uma União de Talentos

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

CENSO AGROPECUÁRIO

http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/2006/tabela1_1.pdf

As Florestas Plantadas de Eucalipto, o Uso da Terra e a Produção de Alimentos no Brasil

Mini-Artigo Técnico por Celso Foelkel As Florestas Plantadas de Eucalipto, o Uso da Terra e a Produção de Alimentos no Brasil O Brasil é um País de dimensões continentais e com relativamente alta população. São cerca de 185 milhões de habitantes ocupando uma área total de 8,51 milhões de quilômetros quadrados (851 milhões de hectares). Dessa área total, cerca de 460 milhões de hectares são biomas ainda naturais e protegidos, o que corresponde à metade da área territorial do País. Destacam-se os biomas: Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal Mato-grossense, Mata de Araucárias (Pinhais), Mata dos Cocais, Zona Costeira e Pampa. Tecnicamente, sobrariam então cerca de 390 milhões de hectares para as ocupações de pessoas, agricultura, pecuária, reflorestamento, etc. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as lavouras agrícolas ocupavam 77 milhões de hectares em 2006; as pastagens 175 , e as matas e florestas 100 milhões de hectares (APPs e RLs - áreas de preservação permanentes e áreas de reserva legal; mais as áreas de florestas plantadas). As autoridades brasileiras argumentam que o País ainda dispõe de cerca de 90 a 140 milhões de hectares para expansão da agricultura, pecuária e silvicultura, sem que ocorra comprometimento das áreas naturais protegidas. Os ambientalistas contestam isso, pois acreditam que áreas importantes de ecossistemas naturais em regeneração (especialmente do Cerrado e Mata Atlântica) estão aí contabilizadas. De qualquer maneira, as áreas para expansão ainda são enormes. Adequados planejamentos e zoneamentos ecológico/econômico por estado e municípios poderão ajudar em muito para que o Brasil atinja um adequado nível de sustentabilidade sócio-ambiental e de produção econômica. Com isso, na situação ideal, os biomas estariam protegidos e a economia crescendo, gerando benefícios e felicidade à população crescente. Bom, não basta sonhar, é preciso fazer acontecer. O setor de base florestal pode e deve participar desse processo na busca dessa sustentabilidade integrada a nível de País e não apenas de empresas individuais ou de setor. Não podemos também esquecer que as produtividades agrícola e florestal do país estão em acentuado crescimento. Temos atingido produtividades excepcionais com a soja, a cana-de-açúcar, o eucalipto, o milho, o Pinus, etc. Existe um esforço grande por parte da área ambiental do Governo para que a agricultura e pecuária também passem a respeitar mais a legislação ambiental, em termos de APPs e RLs, da mesma forma como faz hoje a silvicultura. Os agricultores têm reagido fortemente, contra-argumentando que faltarão áreas para plantios agrícolas e pastagens e isso resultará em redução da produção agropecuária e de alimentos. Dentre as lavouras e cultivos, as mais significativas em uso da terra são: soja = 22 milhões de hectares; milho = 9,5 ; cana-de-açúcar = 6 ; pastagens cultivadas = 100; florestas plantadas = 6. As pastagens naturais, muitas empobrecidas, ocupariam 80 milhões de hectares. Observem então que existe amplo potencial de crescimento para os cultivos mais qualificados tecnologicamente a partir de áreas já degradadas pela agricultura e pela pecuária intensivas e de baixas tecnologias. (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/2006/default.shtm) Na verdade, o que precisa ser buscado e alcançado é uma gestão integrada e não conflitiva para os diferentes uso da terra. Com isso, otimizam-se as cadeias produtivas, as inter-relações entre elas, melhora-se a competitividade e preserva-se o que deve ser preservado. As continuadas pesquisas para aumentos de produtividade e capacidade produtiva da terra também deveriam ser privilegiadas. O setor de florestas plantadas utiliza em geral áreas de baixa aptidão agrícola, com baixa capacidade de produção de alimentos. São terras que foram bem usadas pelas pastagens e agricultura anual, empobrecendo com isso. Essas terras são mais baratas, mais facilmente trabalhadas para as plantações de florestas e compatíveis com as exigências das espécies florestais em uso no País. O setor florestal também utiliza terras com declive acentuado, pouco adequadas à moderna agricultura altamente mecanizada. Com isso, também colabora na conservação desses solos declivosos por colocar sobre eles cultivos de ciclos mais longos. A área de florestas plantadas corresponde a 0,7% da área territorial do País; a 1,65% da área tecnicamente agriculturável; a 6% das áreas definidas pelo IBGE como Matas e Florestas dentro da área do Brasil que está sendo ocupada pela população com finalidades produtivas (http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/2006/utiliza.pdf). Os eucaliptos correspondem a 65% das florestas plantadas no Brasil, fica portanto fácil se calcular sua participação percentual no uso das terras. Deve-se ainda acrescentar que o setor de florestas plantadas é grande preservador de matas e florestas naturais, através de manutenção e enriquecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Isso aumenta bastante sua participação no que o IBGE classifica como Matas e Florestas. Apesar do impacto do setor de florestas plantadas ser pequeno sobre a produção de alimentos no País, por usar terras degradadas, ele existe. Isso acontece por duas razões: • ao plantar florestas em solos degradados agrícolas ou de pastagem, mesmo que eles tivessem baixa capacidade de sustentar esses tipos de produção, essas áreas deixarão de produzir algum alimento; • ao proteger as áreas de preservação permanente (várzeas alagadas, margens de rios e lagos, etc.) e de reserva legal, e que não estavam sendo protegidas pela agricultura ou pecuária, estaremos convertendo áreas de produção de alimentos em áreas de proteção ambiental. Excelente para o meio ambiente, para sustentabilidade, mas com impacto na produção de carne, arroz, milho, etc. Concordam? Nas regiões onde são plantadas florestas para uso industrial e energético, as áreas dos municípios são ocupadas em cerca de 5 a 30% pelos hortos florestais das empresas. Em relação aos estados grandes produtores de florestas plantadas (Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, etc.) a ocupação da área territorial do estado com florestas plantadas varia de 2 a 6%. Em relação às áreas agriculturáveis desses estados, a percentagem varia de 5 a 20%. Como os piores solos são utilizados para as florestas plantadas, ainda sobram suficientes áreas melhores para a agricultura. Entretanto, deve ficar claro, que solos pobres são preferenciais, mas não são exclusivos para o setor de florestas plantadas. Existe relativa quantidade de florestas plantadas sobre solos de melhor qualidade em termos de fertilidade, topografia, etc. Para evitar conflitos potenciais pelo uso da terra e para melhorar o entendimento da sociedade em relação ao tema florestas plantadas e produção de alimentos, é importante que o setor continue seu aperfeiçoamento técnico e que se integre mais nas atividades rurais e agrícolas em suas áreas de influência. Com isso, estará favorecendo sua produção florestal, mas também colaborando para a produção de alimentos. É muito comum ouvir dos ambientalistas que a sociedade não come eucalipto e por essa razão, o condenam. Esquecem-se de que nem só alimentos são necessários para a felicidade e a sobrevivência das sociedades. Entretanto, trata-se de argumento poderoso, não restam dúvidas. O primeiro passo para melhorar isso é a participação mais efetiva do setor de florestas plantadas nos estudos de zoneamentos agro-florestais e para uso da terra, como tem acontecido em estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Com isso, estaremos colaborando para que sejam delimitadas com mais segurança e qualidade os diferentes componentes das paisagens brasileiras, tais como: agricultura, pecuária, florestas plantadas, matas nativas e ecossistemas naturais, sítios arqueológicos e históricos, cidades, áreas industriais, etc. O setor florestal tem apoiado esse tipo de zoneamentos, tendo inclusive participado nos estudos e diálogos públicos. Atualmente, a produção integrada de alimentos nas áreas de florestas plantadas ainda é escassa. Poderiam ser citadas: produção de mel a partir das flores dos eucaliptos; produção de carne por pastoreio no sub-bosque; uso de alguma área de aptidão agrícola para produção de alimentos (arroz, pomares de frutas, etc.) por algum tipo de parceria com fazendeiros rurais. Vale a pena lembrar que no Chile e em Portugal, países de reduzidas áreas agriculturáveis, o problema é bem maior. Lá, algumas empresas de base florestal estão inclusive envolvidas com algum tipo de agricultura para produção de alimentos. É o caso da Portucel/Soporcel - Portugal (com plantio de uvas para vinho - http://www.portucelsoporcel.com/pt/group/docs/04.html; http://www.portucelsoporcel.com/pt/group/docs/05.html ) e Arauco Nueva Aldea (Vinhas, vinho e azeite de oliva - http://www.elsur.cl/diarioelsur/pagina.php?pagina=08&fecha=20080413). Apesar de muitos pesquisados nas universidades brasileiras e nas próprias empresas florestais, a agrossilvicultura e os sistemas silvipastoris são vistos pelos executivos dessas empresas mais como atividades a serem realizadas pelos fazendeiros/agricultores do que por elas. Toda pesquisa dedicada a essas ciências tem sido orientada para ajudar a melhorar a produção florestal e agrícola do produtor rural, através dos programas de fomento e parceria florestal. São pouquíssimas as empresas do setor de base florestal que objetivam se transformar em complexos negócios agro-florestais. Pelos conhecimentos da agrossilvicultura, o produtor rural pode continuar utilizando suas áreas com vocação agrícola ou pecuária e nas terras de pior qualidade plantar árvores consorciadas ou não com pastoreio de gado ou alguma cultura intercalar. Existem inúmeros modelos em uso pelo Brasil, mas na sua enorme maioria na propriedade do agricultor. A grande verdade é que existem dezenas de oportunidades à nossa disposição para que o setor de florestas plantadas possa produzir suas madeiras e cooperar para o crescimento da produção de alimentos no País. A primeira e mais fácil de todas seria a cooperação na transferência de "know-how" tecnológico para a agricultura, mais precisamente para os médios e pequenos proprietários rurais. Em geral, as empresas de base florestal são estado-da-arte tecnológico (silvicultura de precisão, mecanização, hidroponia, conservação do solo, fertilização e nutrição de plantas, controle biológico de pragas, biotecnologia, etc.). Através de um envolvimento maior a nível de cooperação, muitos desses conhecimentos poderiam ser transferidos e compartilhados com os agricultores regionais, alavancando assim a produtividade agrícola local. Isso poderia ser feito através de cursos, seminários, demonstrações, estágios, etc. Esse envolvimento e integração ajudaria a comunidade rural na diversificação e melhoria de suas atividades, no incremento de rendimentos agrícolas, redução de custos, e na preservação do patrimônio natural, histórico e arqueológico. Outras fantásticas alternativas existem e enumerarei algumas a título de exemplo para vocês. Outras muitas poderiam ser citadas e encontradas, basta refletir mais sobre o todo e não sobre a minha área florestal apenas. Vejam só como podemos agregar maior produção de alimentos e sustentabilidade nas regiões onde atuamos, através de: • desenvolvimento de códigos integrados de boas práticas agrícolas e florestais; • produção de bens alimentícios (frutos, sementes comestíveis, cogumelos, etc.) e fitoterápicos (ervas medicinais) a partir das áreas de preservação permanente e reserva legal (a ser desenvolvida com as instituições ambientais); • diversificação da produção nas áreas próprias, utilizando as terras com maior aptidão agrícola para produção de alimentos (ou por conta própria ou em parceria com terceiros). Uma alternativa seria usar os conceitos desenvolvidos pela agrossilvicultura e sistemas silvipastoris também em terras próprias. Mas para produzir mesmo e não apenas como campos demonstrativos. • produção de mudas das culturas agrícolas regionais nos viveiros de última geração do setor; • manejo das áreas florestais com rotação com culturas agrícolas anuais - especialmente leguminosas (feijão, soja, tremoço, grão-de-bico, etc.) ou leguminosas forrageiras (guandu, leucena, soja-perene) - ou plantas arbustivas de maior porte (pomares de ciclo mais longo para diminuir as intervenções antrópicas na área "em descanso" florestal" -exemplo: mamão, etc.); • forte apoio nos programas de proteção e conservação do solo a nível regional; • idem para os programas de proteção à hidrologia local, com instalação de micro-bacias de monitoramento não apenas em áreas de florestas próprias, mas envolvendo as áreas rurais adjacentes; • estabelecimento de parcerias com órgãos públicos de extensão e pesquisa do setor agrícola e pecuário; • forte apoio na transferência de conhecimentos sobre gestão ambiental e de resíduos sólidos (compostagem, uso agrícola de resíduos, etc.); • disponibilização de áreas próprias de terra para uso por terceiros qualificados para atividades como pastoreio, apicultura, piscicultura, pomares frutíferos, etc.; • colaboração com agricultores locais para a obtenção de certificações de produtos agrícolas, nos moldes que existe para a certificação florestal; • etc. etc. O maior envolvimento do setor florestal no estabelecimento e implementação de políticas e estratégias rurais regionais com certeza favorecerá o crescimento e a competitividade dessas regiões. Todos sabemos que para uma empresa ser competitiva ela precisa estar localizada em uma região competitiva. Não há mais como garantir competitividade se a região onde estamos for miserável e com baixas qualificações. Quanto mais qualificados forem nossos vizinhos, melhores seremos nós também. Por isso tudo amigos, vamos refletir um pouco mais em como acelerar essas e outras oportunidades. Com elas, estaremos dando um nível maior de multi-funcionalidade à silvicultura e exercitando melhor nosso papel de empresa cidadã. Estaremos colaborando para que a rede de produção das florestas plantadas seja cada vez mais uma rede de valor para nós e para a Sociedade Brasileira.

AQUECIMENTO GLOBAL: Os mitos do eucalipto

23/04/2009 AQUECIMENTO GLOBAL: Os mitos do eucalipto A edição da Gazeta do Povo do dia 1º do corrente divulgou opiniões e apreensões de prefeitos e outras pessoas sobre o cultivo de eucaliptos em municípios do Norte do Paraná, cuja expansão da cultura significaria prejuízos pela degradação do solo, como a cultura de cereais, por estar “invadindo áreas antes cultivadas com soja, milho e cana-de-açúcar” e que “para conter o avanço do eucalipto os prefeitos da região, conforme o prefeito de Ibaiti estuda a possibilidade de promover um zoneamento agrícola e criar uma barreira para impedir que a espécie tome o lugar de outras culturas”. O que certamente seria um Plano Diretor para ordenar o desenvolvimento rural é, em tese, louvável, mas de difícil realização, uma vez que as regras para utilização da propriedade rural já estão estabelecidas pela Constituição e leis decorrentes. Quanto à opção do agricultor de cultivar o que mais lhe convém é o direito da livre iniciativa garantida pela Constituição de 1988. Os argumentos contrários ao cultivo florestais ali alinhados, em síntese, são os seguintes: comprometem a qualidade do solo; secam os mananciais; prejudicam as culturas que geram mais renda; empobrecem o solo; afetam a fauna e a flora; são variedades exóticas; essas árvores produzem substâncias tóxicas e eliminam plantas ao seu redor; e destroem nascentes. Contudo, não houve imposição dos cultivos florestais, o que faz crescer sua demanda são as vantagens para todos. Seriam argumentos incontestáveis se estivessem fundamentados em estudos e pesquisas científicas. Estas, entretanto, existem e confirmam o contrário. Vejamos o que dizem pesquisas de órgãos competentes e insuspeitos: a) O consumo de água da cultura do eucalipto é menor que na maioria das espécies cultivadas pelos nossos agricultores, como soja, café e trigo, também exóticos. b) Quanto ao potencial das espécies em “secar mananciais” respondem a Universidade Federal de Viçosa, a UFPR, a Unicamp e o Instituto de Pesquisas Florestais, em artigo publicado na Revista Veja em abril de 2008, em matéria sobre a cultura do eucalipto, contestando alguns mitos, entre eles o que diz respeito ao consumo de água pela espécie. Para a produção de um quilo de madeira de eucalipto são consumidos 350 litros de água. Já um quilo de grãos de soja exige 2.000 litros de água. Comparações entre espécies de eucaliptos com outras essências florestais mostram que plantios de eucalipto no Brasil consomem a mesma quantidade de água que as florestas nativas. Estudos comprovam que a água disponível para o eucalipto é proveniente, sobretudo, da camada superficial do solo. Normalmente suas raízes não ultrapassam 2,5 metros de profundidade e não conseguem chegar aos lençóis freáticos. c) Quanto a prejudicar culturas que geram mais renda devemos lembrar que as pequenas e médias propriedades rurais, com ênfase às primeiras, sobrevivem não de uma única cultura, mas sim do conjunto delas, o que é chamado “sistema de produção”. Nestas propriedades a cultura do eucalipto faz parte deste sistema, coexistindo com a pecuária e agricultura tradicional e contribuindo na renda do conjunto de atividades. Trabalhos desenvolvidos conjuntamente entre Embrapa-Florestas, Emater e Seab demonstram que a atividade, quando inserida nos sistemas de produção, apresenta rentabilidade superior, sendo, contudo, um investimento de médios e longos prazos. d) Sobre o empobrecimento do solo, pesquisas independentes já mostraram, também, os efeitos benéficos do eucalipto sobre diversas propriedades do solo, como estrutura, capacidade de armazenamento de água, drenagem e aeração, entre outras. Vale a pena frisar que quase tudo que o eucalipto retira do solo, ele devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos, que possuem 70% dos nutrientes das árvores, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica. e) O argumento de que a fauna e a flora são afetados negativamente também merece atenção, pois quando os plantios são realizados de forma orientada e em respeito a Legislação Ambiental vigente, são entremeados com áreas cobertas com vegetação nativa, formando corredores que favorecem a preservação da fauna e da flora, oferecendo condições de abrigo, alimentação reprodução para várias espécies. Com a adoção de modernas técnicas de planejamento de uso do solo, fica garantida a biodiversidade dos sistemas aquáticos e terrestres. Também não se observa, em áreas de plantio do eucalipto, qualquer efeito de produção de substâncias tóxicas que impeçam o crescimento de outras espécies, prova disto são áreas implantadas no estado onde se realiza, com sucesso, o consórcio da árvore com pastagens (sistemas silvipastoris) e com a agricultura tradicional (sistemas silviagrícolas). É preciso que tenhamos consciência da frágil realidade florestal do Paraná, que com uma conjuntura composta por mais de 1.200 indústrias e 350 mil trabalhadores, desponta como segundo produto da pauta de exportações do estado. Mas, não por largo horizonte, estamos na iminência de um “apagão” no setor caso não cuidemos imediatamente de suprir o déficit entre disponibilidade florestal e consumo. Diante do que precisamos cultivar no mínimo 57 mil hectares, a mais do que vem sendo realizado, para estabelecermos o equilíbrio a partir de 2021. Daí a importância de levarmos aos paranaenses os meios para que em conjunto possamos alcançar essa meta. As opiniões precisam vir a público para que dúvidas se esclareçam e, pelo diálogo sereno e honesto, não só asseguremos o funcionamento do sistema como ainda possamos ampliá-lo, criando novas oportunidades de desenvolvimento sustentável no campo e nas cidades. Nivaldo Passos Kruger é secretário especial de Desenvolvimento Florestal Fonte: Gazeta do Povo

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dia da Terra

Qua, 22 Abr, 09h51 Por Redação Yahoo! Brasil PUBLICIDADE Nesta quarta-feira, 22, é o Dia da Terra, data que tem a intenção de fazer com que todas as pessoas do mundo todo parem para pensar um pouco em meios para a preservação do meio ambiente que está sendo destruído diariamente pelos homens. Pequenas ações do mundo inteiro podem levar a uma grande melhora para o nosso Planeta. Não temos o poder de melhorar essa situação porque o que foi feito não tem mais volta, mas temos a capacidade de estagnar no ponto em que estamos. Tudo que temos tiramos em forma de matéria prima da Terra, mas devolvemos em forma de lixo. Esses recursos são finitos e uma hora vai acabar. Depois que isso acontecer, o que você vai fazer? Por isso, essas atitudes devem ser intrínsecas às pessoas. Nada deve ser forçado e sim, algo que venha da consciência de cada um. Veja algumas dicas de como colocar em prática no seu dia-a-dia uma atitude mais "verde", à favor do ar, da saúde e bem-estar das pessoas, da fauna, da flora, das águas, do Planeta Terra e aproveite para economizar dinheiro. - Procure fazer compra a cada duas semanas, em vez de uma vez por semana, para evitar o desperdício de comida. Coma mais ovos e grãos e menos carne - Uma torneira que pinga uma gota por minuto pode desperdiçar mais de 11340 litros por ano. E ainda aumenta a conta no final do mês. - Uma TV de plasma usa duas vezes mais energia que uma de LCD. TVs grandes também gastam mais energia. Compre apenas a TV do tamanho certo para a sua sala. Aproveite para assistir TV com a família não deixando mais de uma ligada em um mesmo programa - Desista do desodorizador de ambientes. Decore a sua casa com plantas e melhore a qualidade do ar. - Evite spams para economizar tempo, árvores e dores de cabeça - Quando o PC está ocioso, ele gasta mais energia. Use o modo econômico de segurança, ou melhor, desligue o monitor e o computador quando não estiver usando - Quando for trocar o seu computador ou telefone celular, recicle os eletrônicos velhos em vez de jogá-los no lixo - Instale um redutor de fluxo nas torneiras. Isso pode poupar até um galão de água por minuto - Tome banhos mais curtos para economizar água - Instale lâmpadas com sensor de presença nas áreas externas. Assim, elas só acendem quando você precisar delas - Se tiver espaço em casa, faça uma pequena horta - Tampar a panela enquanto uma comida cozinha faz com que seja aproveitado o calor que se dissipa no ar - Faça coleta seletiva na sua casa - Prefira embalagens recicláveis - Verifique a integridade do escapamento do seu veículo para garantir que a emissão de gás carbônico não seja excessiva - Tente dar mais caronas e usar o transporte público. Dirigir sozinho pode ser caro, e solitário - Quando for fazer compras, prefira sacolas reutilizáveis àquelas descartáveis.

A GRAÇA DE SER SÓ

A graça de ser só - Pe Fábio de Melo Há pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar Ando pensando no valor de ser só. Talvez seja por causa da grande polêmica que envolveu a vida celibatária nos últimos dias. Interessante como as pessoas ficam querendo arrumar esposas para os padres. Lutam, mesmo que não as tenhamos convocado para tal, para que recebamos o direito de nos casar e constituir família. Já presenciei discursos inflamados de pessoas que acham um absurdo o fato de padre não poder casar. Eu também fico indignado, mas de outro modo. Fico indignado quando a sociedade interpreta a vida celibatária como mera restrição da vida sexual. Fico indignado quando vejo as pessoas se perderem em argumentos rasos, limitando uma questão tão complexa ao contexto do "pode ou não pode". A sexualidade é apenas um detalhe da questão. Castidade é muito mais. Castidade é um elemento que favorece a solidão frutuosa, pois nos coloca diante da possibilidade de fazer da vida uma experiência de doação plena. Digo por mim. Eu não poderia ser um homem casado e levar a vida que levo. Não poderia privar os meus filhos de minha presença para fazer as escolhas que faço. O fato de não me casar, não me priva do amor. Eu o descubro de outros modos. Tenho diante de mim a possibilidade de ser daqueles que precisam de minha presença. Na palavra que digo, na música que canto e no gesto que realizo, o todo de minha condição humana está colocado. É o que tento viver. É o que acredito ser o certo. Nunca encarei o celibato como restrição. Esta opção de vida não me foi imposta. Ninguém me obrigou a ser padre, e, quando escolhi sê-lo, ninguém me enganou. Eu assumi livremente todas as possibilidades do meu ministério, mas também todos os limites. Não há escolhas humanas que só nos trarão possibilidades. Tudo é tecido a partir dos avessos e dos direitos. É questão de maturidade. Eu não sou um homem solitário, apenas escolhi ser só. Não vivo lamentando o fato de não me casar. Ao contrário, sou muito feliz sendo quem eu sou e fazendo o que faço. Tenho meus limites, minhas lutas cotidianas para manter a minha fidelidade, mas não faço desta luta uma experiência de lamento. Já caí inúmeras vezes ao longo de minha vida. Não tenho medo das minhas quedas. Elas me humanizaram e me ajudaram a compreender o significado da misericórdia. Eu não sou teórico. Vivo na carne a necessidade de estar em Deus para que minhas esperanças continuem vivas. Eu não sou por acaso. Sou fruto de um processo histórico que me faz perceber as pessoas que posso trazer para dentro do meu coração. Deus me mostra. Ele me indica, por meio de minha sensibilidade, quais são as pessoas que poderão oferecer algum risco para minha castidade. Eu não me refiro somente ao perigo da sexualidade. Eu me refiro também às pessoas que querem me transformar em "propriedade privada". Querem depositar sobre mim o seu universo de carências e necessidades, iludidas de que eu sou o redentor de suas vidas. Contra a castidade de um padre se peca de diversas formas. É preciso pensar sobre isso. Não se trata de casar ou não. Casamento não resolve os problemas do mundo. Nem sempre o casamento acaba com a solidão. Vejo casais em locais públicos em profundo estado de solidão. Não trocam palavras nem olhares. Não descobriram a beleza dos detalhes que a castidade sugere. Fizeram sexo demais, mas amaram de menos. Faltou castidade, encontro frutuoso, amor que não carece de sexo o tempo todo, porque sobrevive de outras formas de carinho. É por isso que eu continuo aqui, lutando pelo direito de ser só, sem que isso pareça neurose ou imposição que alguém me fez. Da mesma forma que eu continuo lutando para que os casais descubram que o casamento também não é uma imposição. Só se casa aquele que quer. Por isso perguntamos sempre – É de livre e espontânea vontade que o fazeis? – É simples. Castos ou casados, ninguém está livre das obrigações do amor. A fidelidade é o rosto mais sincero de nossas predileções.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Polêmica: a marca do Deputado Clodovil Hernandes

Polêmica: a marca do Deputado Clodovil Hernandes Roxane Ré | Roxane Ré | 17/03/2009 23:56 impressão | Envie por e-mail | RSS A Proposta de Emenda à Constituição (PEC 279/08) que prevê a redução de 513 para 250 do número de deputados federais foi devolvida pela Mesa da Câmara, no ano passado, por não conter assinaturas suficientes e decorrido o prazo de 5 sessões sem apresentação de recurso. O autor da proposta: o polêmico deputado Clodovil Hernandes (PR/SP) que mais uma vez conseguiu deixar sua marca ao tentar tratar de assunto quase proibido. A iniciativa do deputado levantou um debate sobre a representatividade no País. Preocupado com a economia de despesas públicas, Clodovil afirmava que 250 deputados são suficientes para representar a diversidade da sociedade brasileira. Ele também considerava importante a questão da representação proporcional à população. Atualmente, cada unidade da federação não pode ter menos de 8 ou mais de 70 deputados. Pela proposta, o mínimo passa a ser 4 e o máximo 35. Clodovil falou que estados mais populosos acabam em desvantagem. "Vou pegar Roraima que tem 400 mil habitantes. São 100 mil a menos do que aquilo que consegui em São Paulo. Mas a minha votação estrondosa não vale nada. Um percentual muito menor em Roraima consegue cargos e tudo. Tem 8 deputados, 3 senadores, não sei quantos isso, cada lugar tem um prefeito, tem vice-prefeito, tem vereador. Enfim, o estado inteiro mama na vaca profana do País." O deputado não desistiu da idéia e seguiu para o projeto de decreto legislativo que convoca plebiscito para redução do número de deputados federais. No último dia 13, foi designado relator o Deputado Flávio Dino (PCdoB/MA) na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Assim como qualquer outra iniciativa, você pode se cadastrar no site da Câmara e acompanhar o assunto. Acredito que deveríamos pensar sobre a iniciativa. Esta é a íntegra da justificativa do projeto (PDC 1349/08): O projeto de decreto legislativo ora apresentado pretende permitir aos cidadãos, por meio de plebiscito, decidir sobre a redução do número de Deputados Federais, de quinhentos e treze para duzentos de cinqüenta representantes na Câmara dos Deputados. O objetivo da proposição é o de tornar a Câmara dos Deputados um Colegiado mais eficiente, o que se realizará por meio da tomada mais célere de decisões e pela reestruturação de sua organização administrativa. Com efeito, a grande quantidade e complexidade dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira nesse início de milênio demandam um Poder Legislativo mais atuante e preparado para a resolução rápida de relevantes questões. Nesse passo, a redução do número de Deputados Federais contribuirá efetivamente para a realização de debates e produção legislativa em tempo compatível com as exigências dos tempos atuais. A par disso, há que se ter em conta que uma máquina administrativa de dimensão mais adequada ao cumprimento das missões do Parlamento permitirá melhor organização e controle de gastos públicos. A redução do número de Deputados Federais conduzirá ao aperfeiçoamento dos órgãos que compõem a Câmara dos deputados, dos trabalhos das Comissões e das deliberações do Plenário. Com a certeza da relevância do plebiscito de redução da composição da Câmara dos Deputados para o aprimoramento do Poder Legislativo brasileiro, contamos com o apoio dos nobres Pares para sua aprovação. Deputado CLODOVIL HERNANDES

PEC QUER REDUZIR NÚMERO DE DEPUTADOS PELA METADE

PEC QUER REDUZIR NÚMERO DE DEPUTADOS PELA METADE Quase no apagar das luzes do primeiro semestre legislativo, o deputado Clodovil Hernandes (PR-SP) apresentou Mesa da Câmara proposta de emenda Constituição (PEC) que visa reduzir o número de deputados federais dos atuais 513 para 250. A proposta recebeu o apoiamento de 279 deputados, mas bastava o apoio de 172 deputados para que ela fosse apresentada. Agora a proposta deverá ser encaminhada Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), para uma primeira análise de admissibilidade e dos pressupostos de constitucionalidade e juridicidade. De acordo com a PEC, a representação por estado e pelo Distrito Federal será estabelecida por lei complementar, proporcionalmente população, procedendo-se aos ajustes necessários, no ano anterior s eleições. A proposta estabelece que nenhuma unidade da federação poderá ter menos de quatro deputados federais e nem mais de 35. Atualmente, a menor representação tem oito deputados, o que atinge oito estados e o DF, e a maior, 70 deputados, que é o caso de São Paulo. O atual número de deputados nos parece excessivo, mormente em um momento em que a sociedade se volta contra a classe política e exige a depuração de seus quadros, afirma o parlamentar paulista, na justificativa sua proposta. Clodovil afirma que a Câmara exerce atividades que viabilizam a realização dos anseios da população com a discussão e aprovação de propostas sobre as mais diferentes áreas. Entendemos que a Câmara, com 250 membros, já possuirá amplas condições de representar a diversidade da sociedade brasileira, e possibilitará um enxugamento de estruturas administrativas que redundará até mesmo em significativa diminuição de despesas públicas como ganho secundário, justifica Clodovil. Se a proposta vier a ser aprovada haverá um corte de 263 deputados e uma redução de gastos, só em despesas com esses parlamentares, da ordem de R$ 26,3 milhões por mês, se considerar que o deputado custa por mês algo em torno de R$ 100 mil, incluindo salário, despesas com pessoal de gabinete, verba indenizatória, moradia e passagens. FONTE: Agência Estado

domingo, 5 de abril de 2009

Matas ciliares e ecossistemas fluviais

Matas ciliares e ecossistemas fluviais: uma relação indissociável Paulo Roberto Alves da Cunha | Geógrafo | paulorac_2006@yahoo.com.br www.crea-rs.org.br 25 área técnica - artigos O crescente processo de degradação que tem atingido os corpos hídricos nas mais diferentes regiões do Brasil tem feito com que se busquem soluções para assegurar a manutenção ou a recuperação do equilíbrio ambiental desses ecossistemas fluviais. Um componente importante para garantir as características naturais desses ecossistemas aquáticos são as matas ciliares. De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul (Sema), mata ciliar é a formação vegetal que ocorre nas margens dos rios, córregos, lagos, lagoas, olhos d’água, represas e nascentes. A importância da vegetação ciliar A vegetação ciliar desempenha um importante papel para a manutenção do equilíbrio ambiental, através da função hidrológica protegendo os cursos d’água e pela sua função ecológica, protegendo a biodiversidade. De acordo com Barrella (2001, p. 187), dentre as inúmeras utilidades que as matas ciliares possuem, pode-se destacar: “a formação de hábitats e abrigos, corredores de migração, áreas de reprodução, constância térmica, regulação de entrada e saída de energia, fornecimento de material orgânico, contenção de ribanceiras, diminuição de entrada de sedimentos, sombreamento, regulação da vazão, e do fluxo de corrente, além da influência na concentração de elementos químicos na água”. As matas ciliares servem de abrigo a espécies animais como répteis, mamíferos, anfíbios e aves que encontram nestas áreas marginais uma fonte de alimento, a proteção necessária para fugir dos predadores ou um local de reprodução. Por serem uma área ecótona, entre o ambiente aquático e o terrestre, as matas ciliares são um importante corredor ecológico para a movimentação da fauna silvestre. As matas ciliares além de controlarem a erosão do solo também impedem por absorção do seu sistema radicular, a passagem de nutrientes e defensivos químicos, que por escoamento subsuperficial poderiam chegar aos cursos d’água. Matas ciliares e ecossistemas fluviais: uma relação indissociável Legislação De acordo com a Sema, as matas ciliares são consideradas pelo Código Florestal Federal (Lei nº 4771/65), alterada pela Lei nº 7803/89, como Área de Preservação Permanente. De acordo com o artigo 2º desta lei, a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a distancia de margem a margem do curso d’água. A faixa mínima a ser preservada é de 30 metros, em cada margem, porém, essa largura pode variar bastante (Fig. 1). Degradação A retirada da vegetação ciliar nas áreas rurais é comum como forma de aumentar as áreas de cultivo que, normalmente, demandam grandes quantidades de terra. Além disso, os pecuaristas, frequentemente, removem essa vegetação para o plantio de pasto que serve de alimento para o gado ou para facilitar o acesso desses animais até os rios, onde utilizam as águas para consumo. A retirada dessa vegetação faz com que as taxas de erosão nessas áreas aumentem pela exposição do solo. Conforme Guerra e Mendonça (2004, p. 235), “as taxas de erosão nas áreas rurais aumentam, em freqüência e magnitude, em especial nos terrenos que são deixados descobertos durante uma boa parte do ano ou naquelas áreas onde há o superpastoreio, aumentando a densidade do solo, com o excessivo pisoteio do gado. Todas essas práticas tendem a elevar as taxas de erosão acelerada”. Além disso, como diminui a infiltração, tanto o escoamento subsuperficial como o abastecimento do lençol freático que contribuem para aumentar a vazão nos períodos de baixa pluviosidade também tem um decréscimo em seus níveis. As áreas urbanas também sofrem com a erosão dos solos por conseqüência do crescimento urbano desordenado, que acarreta a destruição da vegetação beiradeira para a construção de moradias irregulares sobre essas áreas que são protegidas por lei. Nas cidades que sofrem com o problema das enchentes nos períodos chuvosos, é comum o investimento do poder público em obras de canalização, buscando dar vazão às águas das chuvas. Segundo Botelho e Silva (2004, p. 175), “a canalização e retificação dos cursos d’água constituem intervenções antrópicas que afetam sobremaneira o sistema hidrológico. Essas obras têm como objetivo aumentar a velocidade e a vazão dos rios, a fim de promover o escoamento rápido do grande volume de água que atinge os canais fluviais e possibilitar a ocupação de suas margens”. Entretanto, essas obras resolvem o problema apenas localmente, pois a retirada da vegetação ciliar das margens e a retificação dos canais apenas transferem o problema para jusante. Com base no que foi discutido até aqui, fica evidente a relação intrínseca entre as matas ciliares e os ecossistemas fluviais, seja em relação aos aspectos hidrológicos ou ecológicos. Para que essa relação continue ocorrendo de forma equilibrada, torna-se fundamental o cumprimento da legislação vigente, através da fiscalização por parte do poder público e da conscientização da sociedade sobre a importância da preservação das matas ciliares para o meio ambiente e por extensão para a própria sociedade. Paulo Roberto Alves da Cunha | Geógrafo | paulorac_2006@yahoo.com.br referências bibliográficas BARR ELLA, W. et al. As relações entre as matas ciliares, os rios e os peixes. In: RODRIGUES, R. e FILHO, H. (orgs.) Matas ciliares: Conservação e Recuperação. 2ª ed. São Paulo: EDUSP, 2001. BOTE LHO. R.G.M. e SILVA, A. S. da. Bacia Hidrográfica e Qualidade Ambiental. In: VITTE, A. C. e GUERRA, A. J. T. (orgs.) Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. GUER RA, A. J. T. e MENDONÇA, J. K. S. Erosão dos Solos e Qualidade Ambiental. In: VITTE, A. C. e GUERRA, A. J. T. (orgs.) Reflexões sobre a Geografia Física no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004. Secre taria Estadual do Meio Ambiente do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em: www.fepam.gov.br/ - Acesso em: 14/06/07 Secre taria Estadual do Meio Ambiente do Estado do Paraná. Disponível em: www.pr.gov.br/ meioambiente/sema/ - Acesso em: 29/06/07

Florestas plantadas e água

Florestas plantadas e água: conflito ambiental ou ausência de políticas sadias de uso da terra? Walter de Paula Lima | Professor de Hidrologia Florestal na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) Os benefícios gerados pelas florestas plantadas ao país são muitos, mas freqüentemente eles acabam sendo subjugados pela questão da polêmica ambiental das florestas plantadas, principalmente em relação à água. No Brasil, essa polêmica tem sido recorrente, ressurgindo de quando em vez, sempre com a mesma feição carregada de meia-verdade, folclore, desconhecimento e, por que não dizer, marotagem. Ou seja, a cada vez que ressurge, fica claro que tudo o que foi discutido e esclarecido da última vez acaba ficando esquecido. Quem sabe não estamos sabendo ou querendo resolver nada. Pode-se perguntar, por exemplo, se as informações científicas disponíveis sobre o assunto estão chegando aos formadores de opinião de forma clara. Mas, pode ser, também, que o problema decorre de nossa incapacidade histórica de formular e implementar políticas sadias de uso da terra, principalmente no que diz respeito à conservação dos recursos hídricos. No mundo todo, é cada vez mais forte o interesse e a necessidade de se estabelecer políticas adequadas de uso da terra, devido à aceleração dos processos de alteração da paisagem pelo homem e seus reflexos em termos da diminuição da água, da degradação hidrológica das microbacias hidrográficas e das sentidas mudanças climáticas. A hidrologia florestal, enquanto focada nas relações entre a floresta e a água e suas implicações para com a manutenção dos serviços ambientais e a estabilidade hidrológica das microbacias, é, sem dúvida, crítica para o equacionamento do problema. O nosso país é pleno de exemplos de degradação hidrológica, decorrentes da alteração da paisagem, do manejo inadequado, da erosão, da compactação do solo, de estradas mal desenhadas, da destruição das matas ciliares e conseqüente perda da resiliência das microbacias e diminuição da recarga dos aqüíferos. Mas isso tudo ocorre de forma difusa e gradativa e poucos enxergam ou sentem. O resultado, todavia, afeta e é sentido por todos: diminuição da água, secamento de lagoas, de nascentes e morte de riachos e rios. E aí é mais fácil seguir a tendência marota do “bode expiatório”, da “lei do menor esforço”, do “pontapé na cerca que já está caindo”. É o eucalipto! É o deserto verde” das florestas plantadas! Tanto para quem não gosta das florestas plantadas, quanto para aqueles que as manejam, é preciso ficar claro que elas precisam, sim, de água para crescer, como qualquer outra espécie vegetal. Durante a fase inicial de rápido crescimento, característico destas florestas plantadas, visando ao abastecimento industrial, esse consumo de água é também maior do que aquele presente na vegetação de menor porte e, eventualmente, até em relação a ecossistemas florestais naturais. Em outras palavras, como foi colocado em uma das palestras do congresso internacional sobre o tema floresta e água, realizada em agosto deste ano na China, “a produção florestal dá-se ao custo de um consumo de água”. Então, o que é preciso equacionar é o seguinte: primeiro, se o meio, em termos da disponibilidade natural da água (o balanço entre a precipitação e a evapotranspiração potencial) comporta esse acréscimo temporário no consumo de água. Quando for o caso, é preciso, portanto, começar a pensar em estratégias de manejo, que levem em conta o zoneamento hidrológico, o espaçamento entre as árvores e o período de rotação, já que o consumo de água das florestas plantadas tende a diminuir em idades mais avançadas, o que significa que pode haver um retorno ao equilíbrio dos processos hidrológicos, na escala das microbacias hidrográficas. Além disto, uma outra estratégia, que visa integrar a conservação da água no manejo de florestas plantadas, passa, também, pelo planejamento deliberado da ocupação dos espaços produtivos da paisagem pelas mesmas, respeitando as áreas de nítida vocação de proteção da água, como são as cabeceiras de drenagem e as áreas ripárias das microbacias. Aqui é sempre importante ter em conta que, na natureza, a localização destas áreas ripárias das microbacias não coincide, necessariamente, com o que a lei define como “área de preservação permanente”. Ou seja, respeitar a lei já é um passo, mas não constitui estratégia suficiente para a conservação da água. Pela mesma razão, apenas restaurar as matas ciliares não vai tampouco resolver o problema. E uma terceira estratégia é o monitoramento hidrológico, através de critérios adequados, visando obter informações experimentais para realimentar as práticas de manejo, objetivando sua melhoria contínua, que é, no fundo, o interesse de todos. Esse é, afinal, o espírito do conceito de manejo sustentável. O que é preciso, portanto, é o seguinte: primeiro, que as políticas de uso do solo e da conservação dos recursos hídricos evolua da condição de olhar apenas a jusante, para a condição de olhar também a montante, pois é ali que estão os problemas da degradação hidrológica. Segundo, que o manejo das florestas plantadas, assim como o manejo agrícola e, enfim, o manejo dos recursos naturais em geral, leve em conta essas interações hidrológicas todas. E terceiro, que as pessoas bem intencionadas procurem, um dia, fazer uma comparação destes aspectos hidrológicos no meio rural. Vão poder ver nascentes e riachos degradados, secos, em áreas onde nunca o eucalipto chegou. Poderão também enxergar que há, de modo geral, mais respeito para com a conservação das matas ciliares, nas áreas do setor florestal produtivo. E assim, Matéria quem sabe, cheguem à conclusão de que todos nós, afinal, temos uma parcela de culpa pela degradação dos nossos recursos hídricos. Em tempo, ao sair da cidade para esta vistoria, procurem também observar o que a urbanização fez com os nossos riachos e nascentes! publicada na Revista Opiniões na edição de Set-Nov 2006

Avanço do eucalipto preocupa - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo

Avanço do eucalipto preocupa - Vida e Cidadania - Gazeta do Povo